terça-feira, 21 de abril de 2020

Técnica de enfermagem denuncia falta de EPIs e testes para detectar coronavírus em profissionais do Hospital Getúlio Vargas, no Recife

"Será que vamos ter que encomendar nosso caixão? Porque vamos
morrer por falta de consciência dos administradores do hospital", desabafou.

Um vídeo com o desabafo de uma técnica de enfermagem que trabalha no Hospital Getúlio Vargas (HGV), localizado no bairro do Cordeiro, Zona Oeste do Recife, viralizou nas redes sociais deste domingo (19). Na gravação, ela denuncia a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), além da presença de pacientes com suspeita de coronavírus no setor de traumatologia e a ausência de testes para os profissionais que tiveram contato com esses pacientes.

De acordo com Alexsandra Albuquerque, a técnica de enfermagem que aparece no vídeo, os profissionais de saúde do hospital estão trabalhando sem os EPIs necessários. "Dizem que chegaram milhões de materiais, mas é mentira. A máscara que estou usando só protege por duas horas e, mesmo assim, temos que trabalhar com ela", disse.

Um outro material mencionado o por Alexsandra como necessário e que está em falta, segundo ela, são óculos de proteção. "Cadê os nossos óculos? Será que temos que produzir em casa com garrafa PET para poder trabalhar?", questionou.

Durante todo o vídeo, a técnica de enfermagem mostrou medo de ser infectada pelo vírus e transmitir para familiares e colegas de trabalho, por isso, fez um pedido de ajuda. "Não aguento mais chorar, estou desgastada fisicamente, mentalmente e espiritualmente. Quem tiver um bom coração, doe material, porque o hospital não está dando para a gente. E se eu levar a doença para casa? Depois vão dizer: 'técnica de enfermagem que lutou até o fim morreu com covid-19'. Não quero isso", declarou.

Além disso, ela também fez um pedido direto para o Governo de Pernambuco. "Senhor governador, pelo amor de Deus, o que você vai fazer para nos ajudar? Faça algo por nós enquanto ainda estamos vivos", falou.

Pacientes com suspeita de coronavírus - De acordo com a técnica de enfermagem, dois pacientes com suspeita de covid-19 estavam na ala de traumatologia, mesmo existindo uma ala para os casos suspeitos de covid-19 no HGV. Um deles, segundo Alexsandra, só foi transferido para o setor após um longo período de insistência por parte dos profissionais.

"Olhem por nós, somos seres humanos. Somos técnicos de enfermagem e estamos cuidando dos pacientes, temos que ter equipamentos de proteção adequados. De quem esperaram autorização para transferir o paciente, se existe uma ala para isso?", disse.

Testes - No vídeo, Alexsandra Albuquerque também questionou sobre a ausência de testes para detectar a covid-19 no hospital. Segundo ela, cinco médicos com quem ela trabalha e outros profissionais foram diagnosticados com a doença. No entanto, não foram disponibilizados para os técnicos.

"Será que vamos ter que encomendar nosso caixão? Porque vamos morrer por falta de consciência dos administradores do hospital. Não quero morrer, mas pelo jeito vai ser o nosso fim, porque ninguém se importa conosco", finalizou.

Resposta - Em nota enviada às 15h31 desta segunda-feira (20), a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informa que tem monitorado permanentemente o abastecimento e os estoques de equipamentos de proteção individual (EPIs) das unidades da rede estadual de saúde e deflagrado diversas ações para garantir a compra de itens de acordo com as especificações técnicas recomendadas pelos órgãos de controle, visando garantir a segurança do profissional de saúde e dos pacientes. 

"Desde o início dos esforços comandados pelo Gabinete de Enfrentamento à Pandemia, já foram adquiridos e entregues às unidades da rede hospitalar mais de 9 milhões de unidades de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Destes, foram mais de 1 milhão de máscaras cirúrgicas e quase 200 mil de máscaras N95. É importante destacar que estas últimas, conforme protocolos e orientações técnica, só são indicadas para profissionais que estão em contato direto com os pacientes suspeitos ou confirmados da Covid-19, em procedimentos com risco de geração de aerossol", diz a nota. 

A direção do HGV ainda esclarece que, segundo protocolos estabelecidos, são fornecidas, por plantão, um quantitativo de três máscaras cirúrgicas por profissional de saúde. "Se houver necessidade, em caso de sujidade ou umidade, o trabalhador pode solicitar unidades extras ao setor de Farmácia da unidade." A direção ressalta ainda que tem feito um trabalho permanente de conscientização dos profissionais para que os insumos sejam dispensados de maneira racional e usados de maneira adequada.

Sobre a denúncia de que apenas médicos estariam sendo testados para covid-19, a direção do HGV nega a informação. "A unidade segue rigidamente o protocolo adotado pelo Governo de Pernambuco para testagem em todo profissional de saúde que apresente sintomas gripais. No serviço, a coleta de swab em trabalhadores sintomáticos é agendada (previamente) e colhida pela equipe da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do hospital."

A direção do hospital informa também que já está em funcionamento no serviço, há mais de 15 dias, alas destinadas apenas para pacientes com síndrome respiratória aguda grave (srag) com suspeita ou confirmação de covid-19. Pacientes internados em outros setores do hospital que apresentem sintomas suspeitos são transferidos para os setores covid-19, de acordo com protocolos estabelecidos pela unidade, com fluxo amplamente divulgado entre os profissionais do hospital. "Equipes foram, inclusive, treinadas para fazer a evolução e acompanhamento dos pacientes", finaliza a nota.

JC Online

Coronavírus: Situação se agrava em PE com 99% das UTIs ocupadas

Rede de saúde de Pernambuco está a um passo pequeno de rede entrar
em colapso, devido ao avançar da epidemia do novo coronavírus.

Das 319 vagas de unidades de terapia intensiva (UTI) do Sistema Único de Saúde (SUS) destinadas a casos suspeitos e confirmados de covid-19 em Pernambuco e reguladas pelo Estado, 99% estão ocupadas. O dado é da Central Estadual de Regulação Hospitalar do Estado e foi divulgado nesta segunda-feira (20), durante coletiva de imprensa online, pelo secretário de Saúde de Pernambuco, André Longo. "Este número impõe uma situação crítica, pois já coloca pessoas na fila de espera (com suspeita ou confirmação de covid-19) por uma vaga em UTI." O número inclui tanto os leitos para covid-19 do Estado como também os abertos pela Prefeitura do Recife. 

"Aquele passo à frente da epidemia não existe mais. Nós já estamos alinhados: epidemia e leitos. Isso é preocupante à medida em que não estamos praticando o isolamento social ideal. Então, apelamos mais uma vez à população pernambucana para reforçarmos os cuidados com higiene, etiqueta respiratória e também evitar sair de casa - e só o fazer quando for extremamente necessário", destacou André Longo. 

O secretário fez um apelo para a população do Estado continuar a respeitar o isolamento social, cuja taxa está em torno de 50%, quando o ideal é de, pelo menos, 70%. Dos 2.690 casos confirmados do novo coronavírus em Pernambuco, 432 pacientes estão internados. "Desse total, 76 estão em UTI e 356 permanecem em leito de enfermaria", disse Longo. Os leitos de UTI e enfermaria também são ocupados por pacientes que estão com suspeita da doença. Por isso, a taxa de ocupação das UTIs está em 99%. 

Ainda nesta segunda-feira (20), também foram confirmadas laboratorialmente 18 novas mortes. Com isso, o Estado totaliza 234 mortes pela covid-19. Além disso, o boletim aponta um total de 100 pacientes já recuperados da doença. 

Desde a última semana, o Estado tem sentido a pressão que a covid-19 joga na assistência hospitalar. Em vários momentos, André Longo faz referência à possibilidade de a rede entrar em colapso, devido ao avançar da epidemia. Esse risco tem levado a gestão estadual a monitorar a ociosidade de leitos na rede privada e a contratar vagas de UTI em hospitais particulares para oferecer assistência a pacientes infectados.

“Temos obtido sucesso na contratualização de leitos (de hospitais) que nunca prestaram serviço diretamente ao SUS, o que é muito salutar”, disse o secretário, em entrevista coletiva na última sexta-feira (17). A contratualização é processo pelo qual as partes (gestor municipal/estadual do SUS e representante legal do hospital) estabelecem metas quantitativas e qualitativas de atenção à saúde e de gestão hospitalar, formalizadas por meio de convênio, contrato ou termo de ajuste. “Já estamos contratualizado com o Real Hospital Português e o São Marcos (Rede D'Or São Luiz). Em cada um, dez leitos. O Santa Joana também está com leitos para o SUS, além de outros como o Hospital Albert Sabin, que também tem mais dez vagas.”

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) também, de acordo com André Longo, está em processo de contratualização de novos leitos nas unidades do Centro de Educação Saúde Comunitário (Cesac), uma organização social mantenedora do Hospital Nossa Senhora do Ó (no Janga, município de Paulista, no Grande Recife) e Hospital e Maternidade Nossa Senhora do Ó (no Prado, Zona Oeste da capital pernambucana).

Todas essas vagas contratualizadas fazem parte do conjunto de aproximadamente 300 leitos destinados a pacientes com diagnóstico de covid-19 ou com suspeita da doença regulados pelo Estado. "O sistema público fará pagamento adequado, aos hospitais privados, de todos os leitos que forem utilizados (pelo SUS)", frisou Longo, que destacou a relação de cordialidade que tem com sindicatos dos hospitais, clínicas e laboratórios privados. “São parceiros no enfrentamento ao novo coronavírus", reforçou.

JC Online

PERNAMBUCO: "Enfermeiros estão recebendo capas de chuva ao invés de equipamento de proteção contra o coronavírus", denuncia sindicato

Em Pernambuco, até o momento, 966 profissionais de
saúde foram diagnosticados com Covid-19.

O Sindicato dos Enfermeiros denunciou, nesta segunda-feira (20), no programa Por Dentro com Cardinot, que capas de chuvas estariam sendo entregues aos profissionais de Saúde para se protegerem contra o novo coronavírus, durante atendimento no Hospital Universitário Oswaldo Cruz, no Recife, ao invés dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). De acordo com sindicato, as capas não são feitas para uso em ambiente hospitalar.

Profissionais com covid-19 - Em Pernambuco, até o momento, 966 profissionais de saúde foram diagnosticados com Covid-19.

Nota do Hospital - A direção do hospital disse que fez inúmeras tentativas ao longo da semana para viabilizar a entrega de aventais impermeáveis e uma compra de 25.000 deles está com entrega programada para amanhã. Porém, a indisponibilidade das empresas para entrega imediata ocasionou essa situação.

Ne10 Interior