terça-feira, 10 de setembro de 2019

Homicídios caem em Pernambuco. Letalidade policial aumenta no País

Dados são do Anuário Brasileiro de Segurança 
Pública, publicado nesta terça-feira (10). (JC Online).

Entre 2017 e 2018 o crescimento de mortes provocadas pela Polícia no Brasil foi de 19,6%, mesmo diante da redução dos homicídios, latrocínios e dos crimes contra o patrimônio. Já os feminicídios corresponderam a 29,6% dos homicídios dolosos de mulheres em 2018: foram 1.151 casos em 2017 e 1.206 em 2018, crescimento de 4% nos números absolutos. São apenas alguns dos dados publicados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Editado desde 2007, o Anuário chega a sua 13ª edição mostrando bons números para Pernambuco. Na relação entre 2017 e 2018, houve um decréscimo de 30% no número de assassinatos no Estado. O gasto total com segurança também aumentou 5,8%.

Os detalhes sobre a publicação foram repassados à Imprensa na manhã desta terça-feira, em São Paulo. No caso dos feminicídios, desde que a lei 13.104/2015 entrou em vigor, os relativos ao crime subiram 62,7% . "A partir da análise dos microdados de 1.959 feminicídios, foi possível traçar um perfil dos registros criminais de feminicídio no Brasil", diz, em nota, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

LETALIDADE - Com relação à letalidade policial, os Estados que apresentaram maior crescimento foram Roraima (183,3%), Tocantins (99,4%), Mato Grosso (74%), Pará (72,9), Sergipe (60,7), Goiás (57,1), Ceará (39%) e Rio de Janeiro (32,6).  "A série histórica dos registros de mortes decorrentes de intervenções policiais no Brasil indica um crescimento paulatino das mortes provocadas por policiais, o que faz com que as Polícias de vários Estados sejam percebidas como violentas. Se entre 2013 e 2015 podemos atribuir os baixos números às deficiências nos registros, a partir de 2016 podemos afirmar que os dados se mostram mais confiáveis e evidenciam o enorme desafio posto ao Estado Brasileiro no controle do uso da força de seus agentes estatais".

MP investiga 11 deputados por "recebimento irregular de verba da Alepe"

Entre os investigados, três são do Agreste, Álvaro Porto (PTB), Claudiano Filho (PP) 
Tony Gel (MDB). 10 ex-deputados e ainda sete empresas também estão na mira do MP. (JC Online).

O recebimento de R$ 1,9 milhão em verbas indenizatórias por deputados estaduais entre 2015 e 2016, apontados como irregulares pelo Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE), agora virou objeto de inquérito civil instaurado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para apurar suspeita de improbidade administrativa contra 11 deputados, 10 ex-deputados e sete empresas. Um dos ex-deputados é o atual prefeito de Carpina, Manuel Botafogo (PDT). O inquérito foi instaurado no dia 2 de setembro e divulgado no Diário Oficial do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), na última quarta-feira (4). 

O TCE apontou em relatório divulgado em agosto de 2017 que as empresas, por dois anos contratadas pelos gabinetes dos deputados, não tinham capacidade operacional para fornecer os bens e serviços (como locação de veículos e material de escritório) ou era constituídas apenas no papel. Na época, o Jornal do Commercio, que é autor desta matéria, visitou o endereço de seis delas, mas não as encontrou em funcionamento. A auditoria do TCE constatou que as empresas tinham no seus quadros societários ex-comissionados da Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco (Alepe) e funcionários de terceirizadas que operavam na Casa de Joaquim Nabuco.
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Veja quem são os deputados citados:

         1 - Álvaro Porto (PTB)
2 - Antônio Moraes (PP)
3 - Claudiano Martins (PSB)
4 - Clodoaldo Magalhães (PSB)
5 - Francismar Pontes (PSB)
6 - Joaquim Lira (PSD)
7 - Joel da Harpa (PP)
8 - Pastor Cleiton Collins (PP)
9 - Rogério Leão (PL)
10 - Romário Dias (PSD)
11 - Tony Gel (MDB)
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A questão surgiu quando ainda nas eleições municipais de 2016, o então candidato a prefeitura de Olinda e o advogado Antônio Campos denunciou o atual prefeito do município e seu adversário na época, Professor Lupércio (SD), por contratar "empresas fantasmas" com a verba de gabinete a que ele, então deputado estadual, tinha direito na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). O TCE apurou o caso e não conseguiu constatar a existência das empresas. A partir disso, o órgão apontou que as empresas envolvidas forneciam produtos e serviços a diversos outros gabinetes da Alepe.

Veja quem são os ex-deputados citados:
1 - João Eudes (PP)
2 - José Humberto Cavalcanti (PTB)
3 - Beto Accioly (PP)
4 - Júlio Cavalcanti (PTB)
5 - Manoel Botafogo (PDT)
6 - Marcantônio Dourado (PSB)
7 - Socorro Pimentel (PTB)
8 - Odacy Amorim (PT)
9 - Ricardo Costa (PP)
10 - Vinícius Labanca (PP)
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A verba indenizatória é um valor disponível aos parlamentares para o exercício da atividade parlamentar. Quando são apresentadas as notas fiscais comprovando a contratação das empresas, os valores são ressarcidos aos deputados.

Na época, o então presidente da Alepe, Guilherme Uchôa, morto em 2018, anunciou a devolução voluntária de todos os valores das verbas e o fim das relações da Casa com as empresas envolvidas por tempo indeterminado.  A Alepe chegou a afirmar que o dinheiro foi pago as elas por apresentarem cadastros regulares junto aos órgãos competentes. Na apresentação do inquérito. MPPE considera que "embora os deputados estaduais que apresentaram as notas fiscais das empresas fictícias tenham devolvido os respectivos recursos aos cofres públicos, as irregularidades subsistem, porquanto a devolução voluntária dos recursos configura o reconhecimento delas", diz texto do Diário Oficial. 

Questionada pelo JC sobre o destino dos valores devolvidos, a assessoria de comunicação da Assembleia Legislativa de Pernambuco não retornou com resposta até a última atualização dessa matéria. O atual presidente da casa, deputado Eriberto Medeiros (PP) também não se manifestou sobre o inquérito até então.

Respostas dos deputados - Quatro parlamentares retornaram ao JC. Álvaro Porto afirmou, por meio de nota, que não houve nenhuma irregularidade no uso da verba indenizatória pelo seu gabinete "uma vez que o serviço de fornecimento de cópias foi efetivamente prestado e que a devolução aconteceu de modo espontâneo, assim que ficou constatado, posteriormente, que a empresa não estaria apta a receber os valores da verba indenizatória, não sendo justo a despesa ser suportada pela Alepe", diz trecho da nota. Por fim, diz confiar na condução do inquérito pelo MPPE e ter ciência de que "ao final restará demonstrada a inexistência de irregularidade", finaliza nota. Joel da Harpa informou que ainda não foi notificado sobre o caso. "Portanto não tem como ter posicionamento sobre o assunto e por isso não vai se manifestar", diz, também por meio de nota.

Atual 1º secretário da Assembleia Legislativa de Pernambuco, Clodoaldo Magalhães afirmou que a devolução dos valores da verba indenizatória ocorreu "em momento administrativo de controle do Tribunal de Contas do Estado, órgão auxiliar e consultivo da Casa "e mostra o zelo de todos os deputados com o dinheiro público". 

Tony Gel mostrou-se surpreso com a instauração do inquérito. "Isso porque no julgamento que houve a nobre relatora do processo ela conclui inclusive dizendo que não houve dano ao erário porque a suspeita de alguma irregularidade foi sanada antes que se comprovasse que houve irregularidade". 

       De acordo com ele, ocorreu um equívoco, pois os deputados não tem condições de fiscalizar as empresas que fornecem bens e serviços aos seus gabinetes. "Obviamente que o Ministério Público de Pernambuco tem todo o direito de observar como foi a decisão do Tribunal de Contas, e se for necessário mais algum esclarecimento, ele será dado. Quando se trata de verba pública, é importante que tudo fique esclarecido", completou. 

Respostas dos ex-deputados - Odacy Amorim (PT), atual presidente do IPA, disse lamenta o ocorrido. Segundo ele, quem cuidava do pagamento das empresas era a equipe do seu gabinete. "Era um valor pequeno, o problema foi que se estendeu ao longo de vários meses", disse. O ex-parlamentar afirmou que espera o esclarecimento dos fatos. "Eu estou a disposição do MPPE para resolver o que era ao meu alcance", finalizou ele. 

Ex-prefeito de Belo Jardim é condenado pela justiça a 37 anos de prisão

De acordo com sentença, João Mendonça foi condenado pelo crime de apropriação indébita 
de descontos de servidores. Eles só perceberam a situação após ficarem inadimplentes.

O ex-prefeito de Belo Jardim, João Mendonça (PSB), foi condenado a 37 anos de prisão por apropriação indébita de descontos de servidores municipais que realizaram o empréstimo consignado. A condenação foi assinada pelo juiz Douglas José da Silva, da Comarca de Belo Jardim, aqui na região Agreste de Pernambuco.

O juiz entendeu que a prefeitura descontou os contracheques de seis funcionários em 2003 e 2004 e não repassou ao banco. Ainda de acordo com a sentença, o caso se trata de um esquema sofisticado de apropriação, pois os servidores só perceberam a situação após ficarem inadimplentes. O G1, que foi autor desta matéria, tentou entrar em contato com o ex-prefeito, mas até a publicação desta matéria, não conseguiu resposta.

João Mendonça foi condenado ao regime fechado e também terá que pagar uma multa de R$ 150 mil. O texto da sentença ainda informa que o ex-prefeito confessou essa apropriação indevida. O processo agora vai para a segunda instância da Justiça Estadual em Caruaru e também está sendo analisado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE).