quarta-feira, 24 de julho de 2019

No meio da chuva, Roberta Miranda comanda a terça-feira de FIG

No palco, cantora exaltou sua ligação com o Nordeste após a declaração preconceituosa de Jair Bolsonaro,
mas sem referência direta ao presidente: “Eu, Roberta Miranda, sou nordestina e amo o povo nordestino”.

(Por Diogo Guedes, do JC Online – Fotos: Felipe Souto Maior/Fundarpe e Hilton Marques)

          A chuva que caiu leve durante quase toda a noite desta terça -feira, 23 de julho aqui em Garanhuns apertou um pouco durante o show de Roberta Miranda, que terminava a programação do dia. Ainda assim, disposta a se aproximar do público, a eterna rainha do sertanejo pegou um guarda-chuva emprestado para andar pela área descoberta do palco Dominguinhos do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG),

Depois de uma noite aquecida pelo forró, com Nando Azevedo, um show especial de Anastácia e Terezinha do Acordeon para Dominguinhos e o repertório consagrado de Maciel Melo, a abertura da apresentação de Roberta veio com Majestade, o Sabiá, um dos seus maiores sucessos. Aí, ela já mostrou que o show não teria nada de protocolar: Roberta soa espontânea mesmo nos gestos mais casuais. No palco, comemorou o fim das saudades de sete anos do FIG (“eu devia vir todo ano”) e exaltou sua ligação com o Nordeste após a declaração preconceituosa de Jair Bolsonaro, mas sem referência direta ao presidente: “Eu, Roberta Miranda, sou nordestina e amo o povo nordestino”.

A cantora paraibana chamou o intérprete de libras para o centro do palco, aceitou um ursinho de pelúcia de presentes (que disse que ia passar ao seu xodó, o cachorro Frederico, várias vezes citado na apresentação), fez discretamente o passinho recifense e falou de si mesmo na terceira pessoa (mas sem nenhuma afetação). Sobre o guarda-chuva, confessou brincando que o pegou emprestado “à força” de alguém do público.

Sempre acompanhada pelo público em uma Praça Guadalajara cheia, tocou violão na faixa Apesar de Não Te Ver e entoou Meu Grande Bem(em versão bolero) De Igual para Igual e Cadê Você?. O show reforça a presença constante de Roberta no imaginário da canção popular brasileira, com sua presença em rádios e trilhas de novelas. Como não podia deixar de ser, ela homenageou Dominguinhos cantando Forrépeando com sua letra simbólica: “O meu pai pernambucano/ A minha mãe da Paraíba/ Aqui dentro de mim tem a força do nordeste/ Um pouco de Lampião/ Outra metade, paulista”.
.

Nenhum comentário:

Postar um comentário