domingo, 21 de julho de 2019

Na terceira noite do FIG, artistas saem em defesa da região Nordeste

Neste sábado (20), Zélia Duncan, Barão Vermelho e Mariana Aydar, atrações principais da noite, 
enalteceram a cultura nordestina e criticaram os comentários do presidente Jair Bolsonaro.

Por Daniel Medeiros, da Folha de Pernambuco. (Fotos: Fundarpe).

Mesmo com chuva e temperatura de 17°C, o Festival de Inverno de Garanhuns (FIG) voltou a lotar a Praça Mestre Dominguinhos. Na noite deste sábado (20), subiram ao palco principal do evento grandes nomes da música brasileira.

Terceira atração da noite, a cantora paulistana Mariana Aydar brilhou com um show que reverencia o forró. Entrou em cena cantando “Veia Nordestina”, música que dá nome ao seu próximo álbum e que revela uma conexão com a região. Em entrevista coletiva, antes da apresentação, ela falou com a imprensa sobre essa ligação. “O forró está na minha vida desde muito cedo. Conheci pequena, porque minha mãe trabalhava com Luiz Gonzaga e eu achava aquela figura muito interessante”, contou, citando ainda sua relação com Dominguinhos, com quem chegou a gravar um documentário.

Enquanto esteve no palco, Mariana apresentou clássicos de artistas nordestinos, como “Te faço um cafuné”, de Dominguinhos, e “Anunciação”, de Alceu Valença. O repertório contou ainda com destaques como “Morango do Nordeste” e releituras em ritmo de forró de canções como “Triste, louca ou má”, da banda Francisco El Hombre, e “Lucro (Descomprimindo)”, do BaianaSystem.

Na participação da cantora, também houve espaço para críticas às últimas declarações do presidente Jair Bolsonaro, que usou o termo “paraíba” ao se referir aos governadores do Nordeste. “Eu queria que a gente se juntasse e pensasse como ninguém pode falar da coisa mais importante que a gente tem no Brasil, que é todo o jeito que vocês sabem de receber e amar, o sotaque, a brisa, as praias, a cultura e o forró. Então, eu amo vocês”, declarou.
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Mais tarde, a carioca Zélia Duncan retomou o assunto em seu show, destacando sua admiração pelos músicos nordestinos. “A nossa voz é a nossa revolução”, afirmou a cantora, que foi respondida pela plateia com xingamentos a Bolsonaro. A cantora foi acompanhada pelo público presente em vários momentos, especialmente durante suas canções mais marcantes, como “Alma”, “Catedral”, “Enquanto durmo” e “Carne e osso”.

A participação do cantor pernambucano Almério no show de Zélia foi um dos destaques da noite. Visivelmente emocionado, o artista assumiu que é fã da carioca. “É simplesmente a pessoa que eu mais admiro na música brasileira”, disse no palco para uma multidão que acompanhava o show. Juntos e de maneira bastante performática, eles interpretaram “Imorais” e “Sentidos”, com direito a “selinho” no final.

Após se despedir dos fãs, Zélia ainda retornou ao palco no show seguinte, para cantar com a banda Barão Vermelho a música “Amor, meu grande amor”. O grupo formado em 1981, no Rio de Janeiro, fez um passeio pelos principais sucessos da carreira. Desde 2017, o cantor Rodrigo Suricato é o vocalista, ocupando um lugar que já pertenceu a Cazuza e Frejat. A icônica banda de rock encerrou a terceira noite do festival, que contou ainda com Amanda Becker e Banda de Pau e Corda.

Programação continua - A 29ª edição do FIG segue até o dia 27 de julho e, até lá, muitas atrações passarão pela cidade de Garanhuns. Neste domingo (21), é esperada uma noite feminina na Praça Mestre Dominguinhos, que recebe as cantoras Karina Buhr, Letrux e Céu, além da banda Neander, a partir das 20h.
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