sábado, 11 de maio de 2019

"Michel Temer tem rabo e boca de jacaré", diz desembargador do TRF 2

Para Abel Gomes, emedebista deve ficar preso 
para ser mantida a ordem pública. (Estadão Conteúdo).

“Tem rabo de jacaré; couro de jacaré, boca de jacaré; não pode ser um coelho branco”, afirmou o desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, ao votar pela prisão do ex-presidente Michel Temer (MDB). O magistrado sustentou que, pela forma ‘incisiva, insidiosa, grave e insistente’, o emedebista deveria ficar preso para ser mantida a ordem pública. Gomes foi um dos dois votos favoráveis no julgamento da última quarta-feira, 8, que terminou com voto vencido de Ivan Athié, e a restauração da medida cautelar contra o emedebista e seu amigo, o Coronel Lima.

Temer e seu amigo João Baptista Lima Filho, conhecido popularmente como "coronel Lima", são alvos da Operação Descontaminação, desdobramento da Operação Lava Jato no Rio para investigar desvios em contratos de obras na usina Angra 3, operada pela Eletronuclear. Os investigadores apontam desvios de R$ 1,8 bilhão. A delação do ex-executivo da Engevix José Antonio Sobrinho, é um dos pilares da investigação.

Na sessão de quarta-feira, 8, o TRF-2 decretou a prisão preventiva de Temer e Lima. Ambos se apresentaram na quinta-feira, 9, na sede da Polícia Federal, em São Paulo.

Durante o julgamento, o desembargador Abel Gomes ressaltou pôde concluir que foram apurados no inquérito policial, detalhados no Relatório Policial Final e na Representação do Ministério Público Federal (MPF), que revelam muito mais do que uma alegada amizade de longa data entre Temer e Lima."

“Apontam para uma ligação de verdadeiros associados em negócios que se revelaram ilícitos. O primeiro paciente, “Coronel Lima”, se apresentando ostensivamente como sócio formal de empresas que, não por coincidência, exatamente após o período de maior ascensão política do Ex-Presidente Temer, passam a ter também ascendência em obras federais para as quais não estavam qualificadas, ou para negócios sem causa econômica compatível”, disse.

“Ao passo que o segundo, o Ex-Presidente, se mantinha oculto a respaldar, com sua influência pessoal, todos esses negócios em que entravam as empresas do dito “amigo”.

“Porquanto os elementos analisados apontam para corroborar, num primeiro momento, para tudo o que ele relatou. E é nessa esteira, que tem aplicação a metáfora popular: “tem rabo de jacaré; couro de jacaré, boca de jacaré; não pode ser um coelho branco”, afirma.

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