quinta-feira, 18 de abril de 2019

PE reduz homicídios em 33,2% no 1º bimestre; 3ª maior queda do país

Estado registrou 580 assassinatos no primeiro bimestre de 2019 e 868 no mesmo período de 
2018. Levantamento faz parte da primeira parcial do Monitor da Violência, em 2019. (G1).

Pernambuco registrou 580 homicídios no primeiro bimestre de 2019. Na comparação com os dados dos dois primeiros meses de 2018, quando houve 868 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), o estado nordestino teve uma queda de 33,2%. É o que mostra a primeira parcial deste ano do índice nacional de homicídios criado pelo portal G1.com, a partir de números oficiais dos 26 estados brasileiros e do Distrito Federal.

O levantamento faz parte do Monitor da Violência, uma parceria do G1com com o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. De acordo com a ferramenta, no Brasil, houve 6.856 mortes violentas no primeiro bimestre de 2019, contra 9.094 casos em 2018.

O levantamento só não comporta o Paraná, cujos dados seguem sendo analisados, segundo o governo estadual. No ranking nacional, o Ceará teve a maior redução, com menos 57,9% homicídios no bimestre, seguido pelo Amapá, com baixa de 35,8%.

Comparando os meses de janeiro de 2018 e de 2019, Pernambuco teve, respectivamente, 452 e 305 homicídios, o que representa uma baixa de 32,5%. No mês de fevereiro, foram 416 casos no ano passado, contra 275 deste ano; índice 33,9% menor.

A queda no número de homicídios registrada aqui no estado de Pernambuco, segue uma tendência nacional de redução da criminalidade. De acordo com o Monitor da Violência, no primeiro bimestre de 2019, o Brasil teve uma diminuição de 25% no número de mortes violentas, em comparação com 2018.

Causas para a redução - Para o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Antônio de Pádua, o investimento na contratação de pessoal foi o principal responsável pela redução nos índices de homicídios do estado. Ele também atribui a queda de números à interiorização das polícias.

"Tivemos novas contratações que permitiram aumentar a presença da polícia no interior, como, por exemplo, a criação de cinco novas unidades de polícia científica. Em 2017, contratamos 1.500 policiais militares, além de 400 servidores para a Polícia Científica. Também tivemos um acréscimo de 800 policiais civis e, em 2018, contratamos mais 1.300 PMs, além de 240 bombeiros", afirma.

Ainda segundo o secretário, o número de vítimas de tráfico de drogas é bastante expressivo. Ele afirma que nesses casos o estado tem como agir de forma mais efetiva do que nas mortes envolvendo brigas em bares e conflitos em comunidades.

"O índice de crimes ligados ao tráfico varia entre 65% e 75%. Os conflitos na comunidade são entre 15% e 16%. A maioria das vítimas ligadas ao tráfico é de pessoas jovens e de 30% a 35% delas já passaram pelo sistema penitenciário", diz Pádua.

Ele também aponta como foram feitos os investimentos para tentar reduzir esse tipo de criminalidade. "Criamos nove delegacias de combate ao narcotráfico e dois novos Batalhões Integrados Especializados em Caruaru [no Agreste] e em Petrolina [no Sertão]", explica.

Avaliação - O coordenador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade Federal de Campina Grande, José Nóbrega, no entanto, acredita que não é possível avaliar de forma clara o que provocou a redução nos números de homicídios, depois de uma onda de crescimento das mortes violentas.

Em 2017, por exemplo, Pernambuco bateu o recorde da série histórica desse tipo de crime e atingiu 5.427 assassinatos. Segundo Nóbrega, com dados cada vez mais específicos e regionalizados, seria possível analisar fatores socioeconômicos aliados à tomada de decisão do governo para tentar prever ou evitar o aumento da violência.

"O governo fala de investimento de forma muito genérica e não tem como saber se isso está dando resultado. Para que o papel do estado fique mais claro, precisamos, por exemplo, de dados do Ministério Público e da Justiça, que não têm tradição de processamento de dados", afirma.

Para José Nóbrega, a implantação do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) seria uma alternativa para melhorar a qualidade dos dados sobre violência e segurança no país. "O Susp é importante para o governo tomar decisões e para quem faz pesquisa ter acesso a microdados com rapidez e eficiência. A questão temporal é um dos nossos problemas, porque só temos acesso a dados três anos depois. O ideal é que tivéssemos dados de uma série histórica de, no mínimo, cinco anos. Assim, poderíamos fazer modelos e interpretações teóricas que nos permitam, à luz da literatura e das hipóteses possíveis, testar novas alternativas", diz.

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