quinta-feira, 7 de março de 2019

SP: Bancada Evangélica acusa Gaviões da Fiel de intolerância religiosa

Desfile da escola de Samba trouxe em sua comissão de frente, o embate
em que satanás saiu vencedor frente a Cristo. (Folha de São Paulo).

A Escola de Samba, Gaviões da Fiel deixou líderes evangélicos furiosos ao levar para o sambódromo paulista representações de Satanás e Jesus num embate em que o primeiro aparenta sair vitorioso. 

A comissão de frente da escola encenou uma disputa entre Jesus e forças do mal, incluindo o diabo. Após a repercussão, a escola publicou em suas redes sociais fotos de outro momento do desfile, em que Jesus sai vencedor da disputa, com os dizeres "Jesus venceu o mal".

A Frente Parlamentar Evangélica da Câmara dos Deputados disse, em nota divulgada na última segunda-feira (4), manifestar “profunda indignação e repúdio ao espetáculo”, apresentado na madrugada do domingo (3) pela escola de samba ligada ao Corinthians, que fez uma releitura do samba-enredo de 1994 “A Saliva do Santo e a Serpente do Veneno”, sobre a história do tabaco.
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Para o presidente da bancada religiosa, Lincoln Portela (PR), “uma apresentação pública ofensiva e desrespeitosa a todos nós, cristãos, ao vilipendiar e escarnecer o Senhor Jesus Cristo e a nossa fé”.

Diz a nota assinada por Portela: “Entendemos que aquela apresentação não é arte, é crime. Nenhum direito é absoluto, logo o direito à manifestação artística não se sobrepõe à inviolabilidade da consciência e da crença”.

Coreógrafo da Gaviões, Edgar Junior teve uma entrevista à Globo recuperada. Nela, diz que o foco da comissão de frente da escola, que trouxe o embate entre Jesus e o Diabo, “era chocar”. “Alcançamos nosso objetivo que era mexer com a polêmica Jesus e o Diabo e a fé de cada um.”



“Manifestações dessa natureza estimulam o desrespeito e a intolerância, caminho inverso àquele que nós, brasileiros, estamos buscando consolidar continuadamente”, afirma a bancada evangélica.

Candidata derrotada a deputada federal e ex-feminista convidada para trabalhar no ministério de Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), a católica Sara Winter afirmou à Folha que entrará com representação no Ministério Público contra a Gaviões.  “Até o momento recebi mais de 600 emails de pessoas interessadas em processar a Gaviões”, diz ela. 

A deputada Lauriete (PR-ES), ex-mulher do ex-senador Magno Malta, e pastora como ele, também diz que vai acionar a Procuradoria contra a Gaviões. “São cenas preconceituosas, afrontosas e de vilipêndio ao sagrado para o povo cristão, que tem também meu repúdio.”

Líder da Igreja Batista Atitude, frequentada pela primeira-dama Michelle Bolsonaro, o pastor Josué Vallandro Jr. também se pronunciou sobre o desfile. “Se fosse uma encenação destruindo um altar de culto de outra religião e dando uma surra num preto velho [entidade umbandista], o que acham que o MP, os partidos de esquerda, a liga de escolas de samba fariam?”

Em redes sociais, a escola introduziu Edgar Junior, 33, como idealizador de uma “comissão de frente que chega forte para o desfile em 2019”.

Projeto para criminalizar a prática - Aqui em Pernambuco, a apresentação também rendeu críticas e ainda uma postura mais dura do deputado federal, Fernando Rodolfo (PR). Em vídeo divulgado em suas redes sociais, o parlamentar aparece garantindo que vai protocolar um Projeto de Lei na Câmara Federal com o objetivo de criminalizar atos e ações que debochem ou que agridam as religiões ou símbolos religiosos.

“Isso não pode acontecer! Nós não podemos aceitar que esse tipo de coisa continue se disseminando pelo Brasil”, disparou o Deputado nascido em Garanhuns, após lembrar o episódio do cantor Johnny Hooker, que durante o Festival de Inverno de Garanhuns do ano passado, chocou ao dizer que Jesus era “bicha; travesti e transsexual”.



Cantor Johnne Hooker chama Jesus de travesti

no Festival de Inverno de 2018. Relembre.

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