segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Sivaldo convoca Agreste para discutir Desenvolvimento Econômico

Albino em discurso: “A história nos mostra que aguardar passivamente a chegada de 
novas indústrias, através da canetada de um prefeito ou de um governador, é uma ilusão.”.

Na última terça-feira, entrou na ordem do dia do Plenário da Assembleia Legislativa do Estado uma indicação do deputado Sivaldo Albino em que o mesmo fez apelo ao reitor da Universidade de Pernambuco, Pedro Falcão, para que seja criado, no âmbito da UPE – Campus Garanhuns, um núcleo permanente de estudos sobre alternativas para o desenvolvimento econômico de Garanhuns e Agreste meridional de Pernambuco.

Na prática, essa indicação consiste num convite à sociedade de Garanhuns e dos demais municípios do Agreste para que gestores de órgãos públicos, empresários, empreendedores autônomos, sociedade civil organizada, bem como cidadãs e cidadãos interessados, criem um fórum permanente de estudos e debates, com vistas à criação de políticas públicas voltadas especificamente para o combate ao desemprego, para a geração de trabalho e renda e, sobretudo, para a identificação e fortalecimento das novas vocações econômicas e dos arranjos produtivos locais e regionais.

Segundo Sivaldo, já faz cerca de quatro décadas que o agreste meridional, com seus 26 municípios, tem sofrido por não ter conseguido articular sua sociedade em torno de um novo projeto de desenvolvimento econômico regional.

Depois de fazer um breve retrospecto histórico da economia de Garanhuns, em que mencionou desde a chegada da linha férrea, em 1887, marco inicial da transformação de Garanhuns em centro comercial, passando pelas fases do café, do algodão e da criação de gado holandês, que consolidou Garanhuns e região como bacia leiteira do estado, Sivaldo Albino disse que o Agreste se encontra hoje num momento delicado de sua história.

Segundo ele, embora as cidades da região tenham melhorado suas infraestruturas urbanas e tenham diversificado seus comércios, além de terem criado uma boa malha de proteção social, sua base econômica, ou seja, mais de 90% da fonte de renda das populações destes municípios ainda provêm do FPM, que chega à população através dos empregos públicos municipais, e provém também das aposentadorias, pensões e do Programa Bolsa Família, de maneira que é possível afirmar taxativamente que nossas cidades ainda são sustentadas pelo Estado brasileiro.

O parlamentar disse, ainda, que o outro lado da moeda dessa afirmação é que o comércio e as atividades agrícolas e pecuárias da região não têm sido capazes de gerar o sustento econômico de suas famílias, de maneira que é tarefa urgente se buscar novas alternativas de geração de renda e de trabalho. Infelizmente, o agreste meridional, junto com a mata sul, ainda ostenta os piores indicadores sociais do estado.

“E a história nos mostra que aguardar passivamente a chegada de novas indústrias, através da canetada de um prefeito ou de um governador, é uma ilusão. Essas autoridades não têm mais esse poder”, afirmou o deputado.

Albino enfatizou que precisamos cair na real e entender que distritos industriais não representam mais o principal atrativo para indústrias, e aliás já não é o principal atrativo há várias décadas. Garanhuns mesmo já viveu duas experiências frustrantes nessa área. O Distrito industrial que foi criado pelo governo estadual na década de 80 e mais recentemente um esforço do governo municipal para distribuir terrenos em troca de geração de empregos, que também não obteve o êxito esperado.

“Na verdade, logística, mão de obra abundante, centros de ensino profissionalizante, proximidade dos grandes centros de consumo, infraestrutura urbana, proximidade dos grandes eixos rodoviários e incentivos fiscais são os fatores essenciais para a atração de empresas – fatores estes já fartamente encontrados nas regiões metropolitanas dos estados, razão pela qual a industrialização é sempre difícil em regiões como a nossa”, enfatizou o deputado.

“Então, se as velhas saídas já não atendem mais aos problemas atuais, qual a resposta? Quais os caminhos que devemos seguir para desenvolver Garanhuns e as cidades do seu entorno?”, questionou Sivaldo.

“São estas as respostas que este núcleo de estudos, no nosso entendimento, poderá nos dar. Pois ninguém conhece mais a realidade e as necessidades de cada segmento econômico, do que seus próprios integrantes”, afirmou.

“A realidade nos mostra que o setor de prestação de serviços parece nos apontar novos caminhos e novos arranjos produtivos”, disse Albino.

“Inserir desenvolvimento econômico e políticas de geração de renda nas agendas governamentais, dos três níveis de governo, e induzir a criação de políticas públicas efetivas de crescimento regional, é tarefa árdua, mas é tarefa urgente e necessária. Precisamos plantar a semente da transformação social e econômica do agreste meridional. Precisamos incentivar a autonomia econômica de homens e mulheres, ensinar-lhes um ofício, promover a libertação do cidadão agrestino”, insistiu Sivaldo.

“Confio na sensibilidade do Reitor Pedro Falcão, confio na inteligência da comunidade acadêmica, confio na Inteligência e na determinação do nosso povo. Tenho certeza de que esse núcleo de estudos dará uma grande contribuição e irá propor importantes políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do nosso agreste”, concluiu.

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