sábado, 23 de fevereiro de 2019

Candidata do PSL em PE recebeu R$ 128 mil a dois dias da eleição

88% desse Recurso foi usado para comprar 5 milhões de panfletos e um milhão de adesivos em uma 
gráficaMariana Nunes obteve 1.741 votos. Ela foi candidata a deputada estadual. (Diário de Pernambuco).

Mais uma candidata a deputada estadual de Pernambuco está sob suspeita de ter sido “laranja” na campanha eleitoral de 2018. Segundo informações reveladas pelo jornal O Globo nesta sexta-feira (22), o partido destinou R$ 128 mil para a candidata a deputada estadual Mariana Nunes, de Pernambuco. Assim que chegou à conta da postulante, o dinheiro já foi quase todo recebido por gráficas entre os dias 5 e 6 de outubro com a aquisição de santinhos, folders e praguinhas a menos de dois dias das eleições. 

Mariana Nunes obteve apenas 1.741 votos na tentativa de conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Pernambuco, ficando na 189ª posição. Sua campanha custou R$ 127.860,00, de acordo com a prestação de contas feita à Justiça Eleitoral, ficando bem acima de campeões de votos da sigla. Um exemplo disso é a deputada estadual Janaína Paschoal, do PSL do Estado de São Paulo, que foi a mais votada da história do Brasil, e que gastou R$ 58,4 mil reais em sua campanha. 

Dos R$ 128 mil recebidos da direção estadual do PSL, R$ 118 mil ficaram à disposição de Mariana Nunes entre os dias 2 e 5 de outubro. Quase toda a verba (88%) foi gasta na confecção de cinco milhões de santinhos e um milhão de adesivos na gráfica Juliane Mirella de Carvalho Gonçalves, localizada nas Graças, na Zona Norte do Recife. A mesma empresa foi contratada por Maria de Lourdes Paixão e Érika Siqueira, candidatas que também receberam grandes cifras do partido a poucos dias da eleição. Lourdes obteve 274 votos para deputada federal, enquanto Érika recebeu 1.315 votos na tentativa de chegar à Assembleia Estadual de Pernambuco (Alepe). 

Procurada pelo jornal O Globo, a procuradora regional da República, Silvana Batini, que já atuou no estado do Rio de Janeiro, afirmou que a prática de desviar recursos de candidaturas femininas é comum em campanhas eleitorais: “Não estou falando sobre esse caso específico, mas uma das formas de burlar a lei é justamente colocar a candidata feminina diluída em outras candidaturas. Então, no final das contas, o dinheiro não está sendo usado para promover as candidaturas femininas”, disse. 

Respostas - Mariana Nunes não foi localizada pela reportagem do Globo. O presidente nacional do PSL, o deputado federal Luciano Bivar, declarou, por meio de nota, que as cifras do fundo partidário são repassadas do diretório nacional diretamente para os candidatos. “A forma de utilização é decisão exclusiva do (a) candidato (a). Já a escolha da chapa é responsabilidade do diretório estadual, do qual Bivar não fez parte”.

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