quarta-feira, 14 de novembro de 2018

PGR investiga mais um repasse via caixa dois para Onyx Lorenzoni

Ano passado, Lorenzoni disse ter recebido R$ 100 mil em caixa dois da JBS, afirmando 
que o dinheiro foi usado para quitar gastos da campanha de 2014. (Uol e Folha de São Paulo).

A PGR (Procuradoria-Geral da República) está investigando uma planilha entregue por delatores da JBS que sugerem um novo repasse via caixa dois para o deputado federal e futuro chefe da Casa Civil no governo Bolsonaro, Onyx Lorenzoni (DEM-RS).

O documento foi obtido com exclusividade pela Folha de S.Paulo e revela que Onyx recebeu R$ 100 mil em agosto de 2012, em meio às eleições municipais. Os colaboradores afirmaram que o repasse foi feito com dinheiro em espécie.

No ano passado, Lorenzoni disse ter recebido R$ 100 mil em caixa dois da JBS, afirmando que o dinheiro foi usado para quitar gastos da campanha de 2014. Na época, ele declarou que iria ao Ministério Público dizer que recebeu os valores e que assumiria a responsabilidade depois que o ex-diretor de Relações Internacionais da J&F Ricardo Saud entregou à PGR anexo de sua colaboração do caixa dois feita ao deputado.

Ainda de acordo com a Folha, em 2012 - período em que Onyx teria recebido o outro caixa dois - o deputado não concorreu a cargos eletivos, mas era presidente do DEM (Democratas) no RS e apoiou vários candidatos. A doação oficial da JBS ou J&F (holding que a controla) não consta nos registros feitos no Superior Tribunal Eleitoral.

Os dois pagamentos a Onyx Lorenzoni estão sendo investigados pela PGR (Procuradoria-Geral da República) desde agosto, por ordem do ministro do STF Edson Fachin. Segundo informações do jornal, Fachin determinou a instauração de uma petição autônoma sobre as suspeitas de contribuições ilegais feitas a Onyx e mais 35 políticos. 

A petição autônoma é uma investigação preliminar que pode redundar em pedidos de quebras de sigilos, prisões e até na apresentação de denúncia.

Defesa de Lorenzoni - Procurado pela Folha de S.Paulo, Onyx não respondeu especificamente sobre o suposto caixa dois delatado pela JBS em 2012. Já a assessoria do futuro ministro afirmou que ele não recebeu repasse da JBS e sim da Abiec (Associação das Indústrias Exportadoras de Carne), em 2014.

"Os recursos foram usados na campanha de 2014 e o ministro só soube da origem quando os diretores da JBS falaram a respeito, pois ele havia recebido do presidente da Abiec, Camardelli, amigo de 30 anos."

A assessoria também falou sobre a devolução do valor recebido: "Onyx Lorenzoni está fazendo uma devolução do dinheiro [de 2014] por meio de doações para entidades filantrópicas de assistência, educação e saúde, entre elas a Santa Casa de Porto Alegre. No total, já foram doados R$ 50 mil. Ao final, o ministro fará uma prestação de contas".

O presidente da Abiec afirmou, em nota, ter "total interesse no esclarecimento dos fatos". "Ao longo de toda a sua vida profissional, [Camardelli] pautou seu comportamento no respeito aos ditames legais e éticos, e jamais praticou qualquer comportamento indevido."

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