sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Ex-secretário de Paulo é indiciado por desvio de dinheiro público

Candidato a deputado Federal, Milton Coelho é suspeito de envolvimento num esquema 
de funcionários fantasmas na Secretaria Estadual de Administração. (PE Notícias).

A Polícia Civil de Pernambuco confirmou, nesta quinta-feira (20), que o ex-secretário estadual de Administração Milton Coelho (PSB) foi indiciado pelo crime de peculato, ou seja, desvio de dinheiro público. Ele é suspeito de envolvimento num esquema de funcionários fantasmas na Secretaria Estadual de Administração.

De acordo com a delegada Patrícia Domingos, outras três pessoas, que seriam funcionários fantasmas, foram indiciadas pelo mesmo crime. “Todos os quatro foram ouvidos durante as investigações, que comprovaram o crime durante a gestão dele”, afirmou a delegada. Milton Coelho foi secretário da pasta, no governo Paulo Câmara, entre dezembro de 2015 e abril deste ano, quando deixou o cargo para concorrer ao cargo de deputado federal. Milton Coelho já foi presidente estadual do PSB e também vice-prefeito do Recife.

As investigações da Delegacia de Polícia de Crimes contra a Administração e Serviços Públicos (Decasp) começaram no início deste ano. No entanto, como Coelho tinha foro especial por prerrogativa de função, a delegada Patrícia Domingos solicitou ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) autorização para dar continuidade ao inquérito. Antes mesmo da decisão judicial, ele pediu exoneração da secretaria e perdeu o foro. Segundo o Código Penal Brasileiro, a pena para o crime de peculato é de dois a 12 anos de prisão, além do pagamento de multa arbitrada pela Justiça.

Em nota, o Ministério Público de Pernambuco confirmou que a conclusão das investigações está sob análise da Central de Inquéritos da Capital. Disse ainda “que não pode repassar mais informações sobre o procedimento porque ele é sigiloso”.

MILTON COELHO - O Ex-secretário se pronunciou sobre o caso que envolve seu nome. A imprensa da capital, Milton disse que não existem provas contra ele e que a delegada quer lhe destruir politicamente. Em nota, o ex-secretário afirmou: “Essa denúncia foi aberta com base em uma denúncia anônima de que a jornalista Roberta Jungmann seria funcionária fantasma de meu gabinete. A  jornalista é funcionária de carreira do Estado há 32 anos, e passou a ser lotada na SAD em 2015, onde ficou até 2016, quando tirou licença prêmio”, contou Coelho, que seguiu dizendo: “Depois a delegada pediu a relação de todos os funcionários comissionados de meu gabinete e mandei todos. Todos trabalhavam e ela não encontrou um só funcionário fantasma”. 

Na mesma nota, Coelho afirmou ainda que nunca foi ouvido pela delegada. “Por fim, vou denunciar a delegada ao Ministério Público e à corregedoria, ela nunca me ouviu, o inquérito é falso. Ela está atribuindo a condição de faltoso a servidores que trabalhavam”.
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GOVERNO DE PERNAMBUCO SE NEGA A COMENTAR O CASO - Há dois dias, o Blog Ronda JC, do Jornal do Commercio, tenta insistentemente um posicionamento da Secretaria de Defesa Social (SDS) sobre a conclusão das investigações. Por se tratar do indiciamento de um ex-secretário do governador Paulo Câmara, a assessoria se negou a responder os e-mails enviados. A assessoria da Secretaria Estadual de Administração também se negou a enviar um posicionamento.

OUTRAS INVESTIGAÇÕES - Gestores do Governo do Estado tiveram os seus nomes envolvidos em várias investigações no ano passado. Em novembro, a Polícia Federal de Pernambuco deflagrou a Operação Torrentes para prender empresários e gestores da Secretaria da Casa Militar suspeitos de desvio de verbas públicas destinadas às vítimas das enchentes na Mata Sul do Estado em 2010 e 2017. O processo já está na Justiça Federal.

Em junho daquele ano, a Polícia Civil de Pernambuco concluiu as investigações sobre um esquema de corrupção que supostamente envolvia empresários de ônibus, o Batalhão de Polícia Rodoviária e um então gestor do Departamento de Estradas de Rodagem de Pernambuco (DER-PE).  Um tenente-coronel do BPRv e um chefe de fiscalização do órgão foram indiciados por corrupção passiva.
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