quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Polêmicas de cantores e de peça no FIG 2018 repercutem na Alepe

Sobre os insultos feitos aos cristãos por peça com Cristo trans e declarações de cantores, sugerindo 
que Jesus seria "homossexual", deputado Joel da Harpa classificou: “O grande responsável, é o Governador".

A polêmica em torno da peça teatral O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu – em que Jesus Cristo é retratado como transexual – rendeu comentários no Plenário da Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco (Alepe), no retorno das atividades legislativas, nesta quarta (1º). Os deputados Adalto Santos (PSB), André Ferreira (PSC) e Joel da Harpa (PP) foram à Tribuna registrar indignação com o caso, que consideraram desrespeitoso com os cristãos. Edilson Silva (PSOL) fez uso da palavra para pedir “equilíbrio” e Waldemar Borges (PSB) registrou ressalvas à “exploração política” do tema.

A obra seria apresentada no Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), realizado pelo Governo do Estado com apoio de parceiros privados, e acabou excluída da programação no último final de semana, após uma sucessão de decisões judiciais. O espetáculo acabou acontecendo na cidade do Agreste Meridional, paralelamente ao evento, em uma apresentação privada, custeada por recursos arrecadados pela internet.

Adalto Santos agradeceu ao Governo do Estado por acolher os pedidos pela retirada da montagem teatral da programação. “Deixamos nosso repúdio aos organizadores da peça. O Brasil não é dirigido pela Bíblia, mas todos nós seremos julgados por ela”, afirmou. “Esse pessoal será responsável por causar uma guerra civil no nosso País. Eles não têm limite para afrontar o Cristianismo”, criticou Adalto (foto), no retorno das atividades da Alepe.
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Já para André Ferreira, a gestão estadual teve culpa no ocorrido. “O Governo já não tem controle sobre a violência, não consegue mais oferecer saúde de qualidade aos pernambucanos e agora peca contra a família cristã”, disse. “O FIG foi criado para incentivar a cultura, não para incentivar movimentos LGBT”, frisou. Joel da Harpa se manifestou no mesmo sentido: “O grande responsável é o governador Paulo Câmara, quando colocou a peça na programação e causou essa celeuma enorme”.

Edilson Silva pediu que se diminuíssem os “tons acusatórios”. “Estive em Garanhuns, vi a peça e o que assisti foi a uma mensagem sobre perdão, gratidão e acolhimento”, relatou. “Quem se ofendeu tem todo o direito de ficar ofendido, mas, em um momento de temperatura tão alta, nós precisamos refletir”, continuou. “Não podemos confundir as coisas e utilizar a situação para fazer disputa eleitoreira.”

Waldemar Borges (foto, abaixo), observou que a escolha da programação do FIG foi feita por uma comissão “que pode não ter percebido a dimensão que o assunto iria tomar”. “Alguns querem atribuir diretamente ao governador, ou mesmo ao secretário de Cultura, a responsabilidade por algo que não foi deliberado pessoalmente por nenhum dos dois”, ressalvou Borges, em seu pronunciamento na casa Joaquim Nabuco.
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O pronunciamento de artistas sobre o episódio, durante apresentações do festival, também provocou reações de deputados. Parlamentares revelaram mal-estar principalmente com as declarações do cantor Johnny Hooker. No último fim de semana do evento, ao tentar defender a peça, o artista disse que Jesus era “travesti”.

“É um cantorzinho, um homossexual que quer colocar em Pernambuco as suas práticas. Em nosso Estado queremos respeito”, declarou André Ferreira, comunicando que irá procurar a Justiça para impedir que o artista seja pago pelo show. “Faremos um grande movimento, unindo todas as igrejas cristãs: ‘se Paulo Câmara pagar o cachê, o voto não vai ter’ ”, anunciou Joel da Harpa. A causa foi acompanhada, em apartes, por Adalto Santos e Pastor Cleiton Collins, este último um dos líderes do PP na Assembleia Legislativa.

Jadeval de Lima (PMN) também manifestou repúdio à conduta do cantor, mas disse estranhar que a discussão “esteja sendo levada para culpar Governo ou Oposição”. “O tema não tem nada a ver com isso”, opinou. Já Priscila Krause (DEM) ponderou que a gestão estadual errou ao deixar de dialogar com a sociedade civil no processo de escolha da programação do festival. “Sem a interlocução, em algum momento o desentendimento iria aflorar, como ocorreu neste ano. Um evento para agregar diferentes públicos acabou acirrando os ânimos e provocando um debate sem vencedores”, lamentou.

Também criticaram a postura de Johnny Hooker, em apartes, os deputados Álvaro Porto (PTB), Antônio Moraes (PP), Bispo Ossesio Silva (PRB), Odacy Amorim (PT), Rodrigo Novaes (PSD) e Teresa Leitão (PT). Na Tribuna, Edilson Silva e Waldemar Borges também expressaram reprovação à conduta do artista.
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