domingo, 12 de agosto de 2018

Em 1º debate, presidenciáveis ignoram propostas e trocam farpas

Dos treze candidatos, oito estiveram presentes. Preso em Curitba, no Paraná, o ex-presidente 
Lula não recebeu autorização da justiça para participar do debate. (Blog do Jamildo).

O primeiro debate entre os candidatos à presidência da República, realizado pela Band, na noite da última quinta-feira (9), foi marcado por poucas propostas claras e muitas trocas de acusações entre os postulantes, sem se aprofundar em temas como educação, saúde e situação fiscal do País. Em diversos momentos, ao serem questionados sobre esses assuntos, eles tergiversaram. Sem o ex-presidente Lula (PT), que está preso e não teve a participação autorizada pela Justiça, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) foi o principal alvo dos adversários.

Dos treze candidatos, oito participam do debate: Álvaro Dias (Podemos), Cabo Daciolo (Patriota), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Henrique Meirelles (MDB), Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede). Os demais postulantes não foram convidados porque não possuem representação mínima de cinco congressistas, requisito mínimo previsto na legislação eleitoral.

O primeiro bloco foi dividido em duas rodadas. Na primeira, os postulantes foram questionados sobre o combate ao desemprego e a geração de postos de trabalho. Primeiro a responder, Álvaro Dias relatou sua trajetória política. Daciolo falou em Jesus. Alckmin propôs mudanças na política econômica, chamadas de “ilusão” por Ciro Gomes. Marina Silva disse conhecer a realidade do desemprego e que seria uma prioridade para ela. Ex-ministro da Fazenda, Meirelles afirmou que não se gera emprego no grito. Bolsonaro defendeu “desregulamentação”. Boulos falou em reforma tributária.

Na segunda parte, em que os candidatos puderam escolher a quem perguntar, Alckmin e Bolsonaro foram os alvos principais dos adversários. Ao ser indagado por Boulos, o deputado do PSL afirmou: “Não vim aqui para bater boca com um cidadão desqualificado”. A troca de acusações deu o tom em outros momentos do debate.
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No segundo bloco, com perguntas de jornalistas, mais uma vez os candidatos deixaram de responder claramente as perguntas. Ao ser questionado sobre o feminicídio no País, Álvaro Dias falou sobre a violência em geral, não respondendo exatamente sobre esses crimes cometidos contra mulheres por questões de gênero, e atribuiu ao problema da segurança como um todo. “O grande problema que estamos vivendo hoje é a falta de amor”, disse ainda Daciolo, que notadamente utilizou um discurso fundamentalista.

No ‘confronto direto’ do terceiro bloco, Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) responderam duas vezes enquanto os demais candidatos responderam apenas uma pergunta. Guilherme Boulos (PSOL) e Alvaro Dias (Podemos) não foram escolhidos para responder nenhuma vez. Cabo Daciolo perguntou a Ciro Gomes sobre a fundação do chamado Foro de São Paulo e do suposto plano Ursal, segundo ele, uma união para o comunismo. “Meu estimado Cabo, eu tive o prazer de lhe conhecer hoje e pelo visto o amigo não me conhece. Eu não sei o que é isso, não fui fundador do Foro de São Paulo e acho que está respondido”, rebateu o pedetista. Depois disso, foi ouvida a risada da plateia.

No quarto bloco, as perguntas voltaram a ser feitas por jornalistas que escolhiam dois candidatos, um para responder outro para comentar a pergunta. O assunto que marcou o bloco foram as propostas de cortar privilégios. Bolsonaro foi questionado sobre os benefícios a políticos e respondeu que os auxílios estão previstos em lei. “Eu podia ter usado R$ 400 mil do cotão, mas usei só metade”, disse. Em resposta, Boulos disse não ser ético aceitá-los, embora sejam previstos por lei. “Privilégio não combina com direito”, rebateu.

Sem Lula - O PT, partido do ex-presidente Lula, que está preso em Curitiba por ter sido condenado pela Operação Lava Jato, acionou a Justiça para que a ida dele ao debate fosse autorizada, mas o pedido já havia sido negado em primeira instância, decisão confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) nesta quinta-feira (9). O partido, então, abriu transmissões ao vivo nos redes sociais com Fernando Haddad (PT) e Manuela D’Ávila (PCdoB) fazendo comentários sobre o da Band.
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