terça-feira, 10 de julho de 2018

Ministério Público recomenda retorno de peça trans ao FIG 2018

Embora recomende o MP, retorno da peça a programação oficial do evento, ainda 
não foi confirmado oficialmente, por Fundarpe ou Secult. (JC Online – Foto: Divulgação).

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), aqui em Garanhuns, publicou na última segunda-feira, dia 9 de julho, no Diário Oficial do Estado, uma recomendação à Secretaria Estadual de Cultura para reintegrar a peça "O Evangelho segundo Jesus, a Rainha do Céu", à grade de programação oficial da 28ª edição do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), que este ano, tem como tema: "Um Viva a Liberdade". A atitude, reacende a polêmica sobre o espetáculo protagonizado pela atriz trans Renata Carvalho que, no último dia 30 de junho, havia sido cancelado após pressões de setores religiosos aqui da cidade, e até do prefeito Izaías Régis, que se recusou a ceder espaço para a montagem.

No documento de quatro laudas, o promotor Domingos Sávio Pereira Agra, da 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania de Garanhuns, relatou todos os detalhes do caso e concluiu que o secretário estadual de Cultura, Marcelino Granja, e a presidente da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), Márcia Souto, devem reintegrar o espetáculo à grade oficial do FIG 2018, e que ambos dialoguem com os "eventuais parceiros que mantenham resistência à sua apresentação", esclarecendo no mesmo documento, o "caráter respeitoso" da obra.

O promotor também pediu aos governos de Garanhuns e de Pernambuco para que eles estimulem a tolerância e a luta contra a homofobia através de campanhas, concursos e outros meios. A recomendação foi assinada em conjunto com a Comissão de Promoção dos Direitos Homoafetivos do MPPE, que está na ativa desde 2012.
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A POLÊMICA - No monólogo, a atriz trans Renata Carvalho conjectura como seria se Jesus voltasse à terra como uma travesti. A partir desse mote, ela busca abrir o diálogo sobre as vivências das pessoas trans e combater a exclusão social de seus corpos.

Mesmo com a retirada da programação oficial da peça, vários artistas se mobilizaram e em menos de 30 horas arrecadaram mais de R$ 6 mil através de financiamento coletivo, garantindo a apresentação do espetáculo de forma independente.

Na última quinta-feira (5), o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, quando esteve aqui em Garanhuns, confirmou a exclusão da peça porque ela provocaria "polêmica": "As atrações são escolhidas por uma curadoria, pessoas externas ao Governo, inclusive para não ter influência do Governo. Infelizmente, houve essa polêmica dessa peça. O Festival não é para ter polêmica. Pelo contrário, é um Festival para ter unidade, para ter harmonia, para as pessoas virem satisfeitas, virem brincar, conhecer nossa cultura seja na dança, no teatro, na música. Ao ver essa polêmica é nosso dever também resolver. Não queremos polêmica no Festival de Inverno de Garanhuns, queremos unidade e harmonia. E a gente vai ter, com certeza, um bonito festival", afirmou.

Apresentação não está confirmada – Ainda nesta segunda (9), o atual Secretário de Cultura do Estado, Marcelino Granja, foi contactado por uma rádio local. Questionado se acataria a recomendação, ele foi direto, e não deu pista sobre a decisão. “Mais adiante vocês de Garanhuns, saberão se acataremos o retorno da peça”, destacou Granja.
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