segunda-feira, 28 de maio de 2018

“Greve só vai acabar após redução do preço do diesel nas bombas”

Alegação, é do presidente da União Nacional dos Caminhoneiros
(Unicam), José Araújo Silva, o “China”. (O Globo – Foto: Marcelo Brandt/G1).

BRASÍLIA - O presidente da União Nacional dos Caminhoneiros (Unicam), José Araújo Silva, o popular "China" (foto acima), reconheceu ao falar com o Jornal O Globo, do Rio de Janeiro, que o governo atendeu a todos os pedidos da categoria, mas que a greve deve persistir enquanto o preço do diesel não cair nas bombas. As declarações foram feitas depois de outros representantes de caminhoneiros autônomos afirmarem que aprovam as medidas anunciadas pelo presidente Temer em pronunciamento na noite de domingo.

As três medidas provisórias para atender às demandas dos caminhoneiros saíram em edição extra do Diário Oficial da União no fim da noite de domingo. Três outros líderes dos caminhoneiros afirmaram que o acordo atendia às reinvindicações da categoria e aprovavam o retorno ao trabalho: Carlos Alberto Litti Dahmer, presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga (Sinditac) de Ijuí (RS), José da Fonseca Lopes, presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), e Diumar Bueno, presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA).

Silva (China) disse que está informando os termos do acordo, fechado no domingo, aos líderes do movimento em 12 estados, mas que alguns já disseram que a paralisação vai continuar. Entre eles, caminhoneiros da Paraíba, de Tocantins, Sergipe, além de Santos (SP). “Acho que a greve não vai acabar facilmente. O preço do diesel continua o mesmo na bomba, nada mudou”, destacou China.
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Ele afirmou que não tem poder para acabar com a greve, que começou de maneira “voluntária”, depois do “descaso” do governo com a categoria. China participou da reunião no Planalto, na quinta-feira, mas não quis assinar o primeiro acordo fechado pelo governo com demais entidades da categoria. China contou que não foi chamado para participar da reunião de domingo no Planalto, quando foi firmado novo acordo.

As declarações de líderes do movimento mostram que a crise de desabastecimento no país ainda está longe de acabar. O preço do diesel só deve cair nas bombas de maneira mais efetiva depois que o Congresso aprovar o projeto da reoneração da folha de pagamento das empresas e a proposta foi sancionada pelo presidente Michel Temer — quando serão editadas todas as medidas para reduzir a carga tributária sobre o combustível. A votação do projeto, que passou pela Câmara dos Deputados e está no Senado, foi a contrapartida negociada pela equipe econômica para compensar perda de receitas com o corte nos tributos incidentes sobre o diesel (Cide e PIS e Cofins).
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