quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Miguel vai tirar gestão de água e esgoto de Petrolina da Compesa

Municipalização do setor é debatida desde o primeiro mandato de FBC como prefeito da cidade. 
Desavenças do prefeito dentro do PSB podem justificar retomada do projeto. (JC / Foto: Fernando da Hora).

A desavença entre o grupo político do senador Fernando Bezerra Coelho, atualmente nos quadros do MDB, e o atual governador de Pernambuco, Paulo Câmara, (PSB) acaba de ganhar um novo capítulo. O prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (PSB), filho de FBC, informou que pretende tirar da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) a gestão das redes de água e esgoto do município, passando para outra empresa o gerenciamento do setor. Na última semana, foi lançado um edital convocando instituições públicas e privadas a realizarem estudos sobre o abastecimento e saneamento na cidade sertaneja. A notícia foi publicada ontem pelo Blog do Jamildo.

“Hoje Petrolina paga uma tarifa cara para a Compesa e a empresa não consegue abastecer de água essas casas. Se você verificar os relatos dos moradores, vai ver que no último mês houve registro de bairros que ficaram mais de 20 dias sem água”, afirmou Miguel. Segundo o prefeito, atualmente cerca de 60% dos domicílios da cidade possuem acesso à rede de esgoto e 90% têm água encanada.

Apesar de não se tratar de um tema novo – pois a municipalização do setor é debatida desde o primeiro mandato de FBC como prefeito de Petrolina, entre 2001 e 2004 –, Roberto Tavares, presidente da Compesa, disse ter recebido com “surpresa” a notícia da iniciativa de Miguel Coelho. Segundo o gestor, a movimentação do socialista é uma tentativa de privatizar o serviço na cidade e um ataque direto ao subsídio cruzado, mecanismo que permite que a estatal utilize os recursos que arrecada em Petrolina em outros municípios da região.

“O subsídio cruzado permite que cobremos a mesma tarifa de Petrolina a Araripina, que fica muito mais distante do rio (São Francisco). Se fôssemos cobrar pelo custo, a água em Araripina seria mais cara. Sem o subsídio, será feita distinção entre quem mora perto do rio e quem mora longe. Isso separa o município rico do pobre, o filé do osso, na intenção de passar os setores mais rentáveis para a iniciativa privada”, avaliou.

Reunião - Tavares e Miguel têm uma reunião agendada no próximo dia 25 de janeiro. De acordo com o presidente da Compesa, nenhuma atitude será tomada pela estatal até que o encontro ocorra. Questionado sobre o imbróglio após o lançamento do Campeonato Pernambucano de Futebol, ontem à noite, Paulo Câmara limitou-se a dizer que existe um contrato entre a Compesa e o município e que “respeita o que está pactuado”.

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