segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Alívio do Presidente do PEN. Bolsonaro não irá para seu partido

Com desistência de Jair, legenda agora quer convencer o ex-presidente do Supremo Tribunal 
Federal, Joaquim Barbosa a se candidatar. (Estadão Conteúdo – Foto: Agência Brasil).

O atual presidente do PEN-Patriota, Adilson Barroso, se disse "aliviado" com a desistência do deputado federal Jair Bolsonaro, do PSC do Rio de Janeiro, de ser o candidato por sua legenda. "Fiz das tripas o coração para tê-lo com a gente, mudei o nome do partido, mexi no nosso estatuto, dei mais de 20 diretórios para o grupo dele. Mas você não pode ser convidado para entrar em uma casa e depois querer tomar ela inteira para você, expulsando seus moradores originais", disse o dirigente.

Barroso afirmou que o relacionamento dele com Bolsonaro teria sido "envenenado" pelo advogado e assessor do deputado Gustavo Bebianno - que, segundo Barroso, queria tomar o "partido inteiro para o grupo de Bolsonaro". O rompimento já havia se insinuado quando deputados da legenda se rebelaram contra o que chamavam de "fome" do grupo bolsonarista. Os deputados Walney Rocha (RJ) e Junior Marreca (MA) se posicionaram contra as mudanças no estatuto da legenda - principalmente aquela que impede alianças com partidos de esquerda (Marreca, por exemplo, é aliado do governador do Maranhão, Flávio Dino, que atualmente integra os quadros do Partido Comunista do Brasil, PCdoB).

Bem ao estilo Barroso, o presidente do PEN-Patriota já avisou que, sem Bolsonaro, pretende focar maciçamente em convencer o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Brasileiro (STF), Joaquim Barbosa a sair candidato pelo seu partido.

“Dono” - O cientista político Vitor Oliveir, do Pulso Público, afirmou que "a questão de Bolsonaro tem a ver com a forma de operação dos partidos políticos no Brasil". Para ele, o fato de os partidos terem "donos" cria dificuldades para Bolsonaro se impor como dono de uma legenda que não é dele. Já para o também cientista político Rogério Battistini, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, "Bolsonaro não está sabendo fazer o jogo político e criando dificuldades para sua própria candidatura".

Battistini afirmou ainda que a vontade de ter controle absoluto sobre uma legenda só "pode minar os sonhos eleitorais de Bolsonaro".

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