quinta-feira, 27 de julho de 2017

Noite paraense trouxe carimbó e paixão ao Palco Dominguinhos

Embalada por ritmos do norte do país, noite da quarta, contou com a presença de dois ícones da música
paraense, Pinduca, o rei do carimbó e Fafá de Belém. (Do Portal Cultura PE / Fotos: Jan Ribeiro).

Uma noite cheia de suingue, com tambores da floresta, merengue, carimbó, guitarradas e lambadas vindas do Pará deu o tom da sexta noite de shows do Palco Dominguinhos. A “Noite do Pará” contou com a presença do rei do carimbó, Pinduca, considerado o “Luiz Gonzaga” do norte do país, que veio pela primeira fez ao festival.

Ele fez uma participação especial no show de Lia Sophia, cantando suas clássicas “Dança do Carimbó” e “Sinhá Pureza”, além de músicas como “Ai Menina” e “Volare”, fazendo todo mundo dançar, mesmo na chuva. Também subiram ao palco nesta noite a aclamada cantora Fafá de Belém, o músico Arthur Espíndola com seu samba amazônico e a cantora Belinha Lisboa e seu reggaeton.

Quem abriu a noite de shows foi a cantora garanhuense Belinha Lisboa, que participa pela segunda vez do festival. Trazendo suas influências do reggae, ela apresentou músicas autorais e também deu uma repaginada em cações de Edson Gomes, Luiz Gonzaga, Chico Science e Alceu Valença, em ritmos de zouk e reggaeton.
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A segunda atração foi o cantor paraense Arthur Espíndola, integrante da nova geração de artistas do Pará que faz um resgate e uma mistura de ritmos regionais, tocando samba com carimbó, ritmo que ficou conhecido como “samba amazônico”, feito com instrumentos como banjo regional, curimbó, barrica de boi, marabaixo e outros instrumentos clássicos do samba como cavaquinho e pandeiro.

Cantor e multi-instrumentista, Arthur Espíndola contou com a participação de Fafá de Belém no seu clipe Tempo Deus e prepara a gravação do seu novo DVD, A Ilha do Samba, que será filmado a partir de dezembro no Pará. Além de músico, Arthur também apresenta um programa na TV Cultura, o “Amazônia Samba”, transmitido toda segunda-feira às 7h30.
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Lia Sophia e Pinduca contagiaram o público com muito suingue, lambada e carimbó. “Essa é a segunda vez que toco no FIG, a primeira foi em 2014. Estou muito feliz por Pinduca ter aceitado meu convite e viemos aqui fazer uma música quente, com guitarradas e merengue para todo mundo dançar”, afirmou a cantora. Pinduca, aos 80 anos e cheio de energia, contou que já tinha estado em Garanhuns há 40 anos, para divulgar um vinil, “mas, para tocar é a primeira vez que venho e achei emocionante porque o público ficou e cantou mesmo debaixo de chuva. Eu e Fafá de Belém abrimos as portas para muitos artistas do Pará. Quando comecei, o carimbó era música para velho, mas fizemos uma modernização e o ritmo ganhou o gosto popular”, explica o mestre.

A última atração da noite, Fafá de Belém fez todo mundo cantar num show que variou entre ritmos suaves e dançantes. No repertório, mesclou canções já conhecidas em sua interpretação como “Abandonada” e músicas que fazem parte do seu novo disco “ Do Tamanho Certo para o Meu Sorriso” (2015) , como “Pedra sem Valor” (Dona Onete). O disco comemora os 40 anos de carreira da cantora e venceu o 27º Prêmio da Música Brasileira, nas categorias Melhor Álbum e Melhor Cantora.
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Terça no FIG, foi de muito embalo ao som do grupo BaianaSystem

Banda foi a atração mais aguardada da terça-feira, que ainda teve Eddie,
Lucas Santanna e Neander. (Do Portal Cultura PE / Fotos: Rodrigo Ramos).

“A mais de mil decibéis, virado numa goteira”, diz o verso que é a síntese do grupo BaianaSystem, a atração mais aguardada da terça-feira (25) no palco Mestre Dominguinhos. Isso porque não é preciso ser fã ou nem mesmo conhecer a banda para se envolver com seu show, cujos graves parecem provocar uma espécie de reação espontânea e involuntária no corpo. Foi assim que a esplanada começou a tremer sob os pulos instintivos de um público em frenesi, que encheu o polo em plena terça-feira, logo nas primeiras batidas da abertura com a música “Lucro”.

Em seguida veio a faixa-título do elogiado segundo álbum do grupo, chamado “Duas Cidades”, levando a plateia a cantar junto no refrão. Ocasionalmente, o fundador da banda Roberto Barreto solava na guitarra baiana, propondo a desconstrução do axé e retomando as raízes da música soteropolitana, sedimentada por diferentes manifestações como o ijexá, afoxé, samba reggae e blocos afros, também representados pela percussão orgânica em um show que destaca as pancadas das programações. Músicas como “Barra Avenida” eram estendidas por rimas improvisadas pelo vocalista Russo Passapusso, que versava sobre igualdade e democracia.

Nesse contexto também foram cantadas músicas como “Matuto”, da carreira solo de Passapusso, e “Invisível”, que fala sobre a segregação social reiterada pela postura negligente de políticos e camadas da população. A canção também faz crítica aos blocos de Salvador que usam o cordão de isolamento, dividindo o Carnaval por poder aquisitivo. Donos do seu próprio trio elétrico durante a folia baiana, o grupo não usa cordões e se tornou símbolo da cultura de resistência não só na cidade natal, como também no resto do Brasil. Por isso, uso de elementos instrumentais que ficaram popularmente conhecidos como componentes do axé é, na verdade, o resgate da cultura baiana de raiz associada a abordagem pop do soundsystem.
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“Tocar nesse palco é uma vitrine e é uma possibilidade da gente dialogar cada vez mais. É um prazer tocar na mesma noite da banda Eddie, por exemplo, porque a música baiana e a pernambucana têm se aproximado muito”, observou Roberto, após o apresentação encerrada pelo hit “Playsom”, que incendiou a praça Mestre Dominguinhos. Prova dessa afinidade entre as propostas musicais dos dois estados, a banda Eddie contou com a participação da Orquestra de Frevo Henrique Dias no show que antecedeu o grupo soteropolitano, buscando evidenciar o trabalho da Escola de Música Henrique Dias, que fica em Olinda, e sua importância para a preservação do frevo.

Antes de se dedicar ao ritmo pernambucano tocando clássicos, como “É de fazer chorar”, a banda apresentou um balanço da carreira com músicas como “Na beira do rio”, “Ela vai dançar”, “Pode me chamar”, sempre tendo a dança como resposta do público. “O Baile Betinha” foi dedicada à memória de Erasto Vasconcelos, que faleceu em outubro do ano passado, como mais um sinal de respeito a cultura popular pernambucana. “Eu acho que a banda Eddie faz música popular brasileira urbana e uma das percelas maiores dessa música foi justamente essa escola com seu frevo, juntamente com o mestre Erasto e outros, que nos deram autonomia e credibilidade para a gente frequentar esse território da música brasileira. A programação do FIG privilegia as coisas boas autorais e estar associado a isso é um orgulho pra gente”, disse o vocalista Fábio Trummer.

Mais cedo, o baiano Lucas Santanna chamou atenção da plateia ao interromper seu rock tropical com um momento pancadão, que teve seu ponto alto com a música “Funk dos Bromânticos”, dedicada a Ney Matogrosso na ocasião. “Ele é um cara que levantou a bandeira da liberdade sexual em um momento mais difícil que o de hoje e não merece ser massacrado porque foi mal interpretado”, comentou ele, sobre a entrevista em que o cantor destacou ser humano antes de qualquer classificação sobre sua sexualidade. O poprock da banda garanhuense Neander foi a responsável pela abertura do palco Mestre Dominguinhos, somando o público no início da noite.
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PÚBLICO - O dia também foi marcada pela chegada de caravanas de outras cidades que se planejaram para aproveitar a programação do Festival ontem. Com a abertura do Palco Instrumental, Palco Pop, Palco Forró, na terça, e o início do VIII Virtuosi na Serra no dia anterior, os visitantes passaram o dia circulando pelos ambientes da cidade e se encontraram no início da noite no Palco Mestre Dominguinhos.

Foi o caso da estudante Bruna Medeiros, de 24 anos, que chegou do Recife ontem para retornar após os shows. “Eu achei massa o show de BaianaSystem aqui, porque foi super tranquilo e organizado. O pessoal todo de Recife veio para assistir a apresentação”, opinou ela, que organizou uma maneira de poder conferir a programação durante a semana sem interromper as atividades na cidade natal. “O BaianaSystem é um show que eu jamais imaginaria aqui agora, talvez só anos depois. Eu gostei da programação, se você prestar atenção em todos os polos sempre tem algo legal pra fazer. Muita gente só olha o que vai ter no palco principal, mas independente disso a programação tá rolando”, falou a empreendedora Maysa Lins, de 27 anos, que também veio de Recife para curtir o FIG.

Quem veio de fora do estado e ainda não conhecia o evento também aprovou a Festival. “Eu fiquei bem impressionado com a programação. Já tinha visto um show de BaianaSystem no festival Bananada, de Goiânia, e fiquei super animado quando vi que ia ter aqui. Ainda não conhecia Garanhuns e fui surpreendido com um evento desta dimensão”, disse o bailarino Junior Leite, de 27 anos. Entre o público natural de Garanhuns, o técnico de laboratório Wallace Maia, de 36 anos, foi um dos que se dispôs a ir conferir as atrações que ainda não conhecia.

“Eu vim aqui só pra conhecer e achei bom demais. Quando peguei a programação, falei para as pessoas de tudo de bom que tinha, até que alguém veio me falar do BaianaSystem, que eu nunca tinha ouvido falar. Cheguei aqui e amei, tanto que acabou e ainda continuo aqui na praça”, divertiu-se ele, que acredita que festivais tem também o papel de apresentar o novo. “Belchior deixou a mensagem: o novo sempre vem”, brincou.
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Segunda de Festival de Inverno foi de homenagem à Dominguinhos

Releituras de composições brasileiras marcaram a noite no
maior palco do evento. (Do Portal Cultura PE / Fotos: Jorge Farias).

Grandes ícones da música nacional brasileira foram a pauta da última segunda-feira, dia 25 de julho, no palco Mestre Dominguinhos, que teve o sanfoneiro garanhuense como homenageado pelo Cantoria Agreste. Formado pelos veteranos Marcelo Melo, do Quinteto Violado, Sérgio Andrade, fundador da Banda de Pau e Corda, Gennaro, ex-Trio Nordestino, e João Neto, que tocou guitarra na banda do próprio Dominguinhos em seus últimos 13 anos de vida, o projeto prestou um sensível tributo a obra do Mestre e deu uma verdadeira aula sobre a trajetória do músico. Não era de se esperar menos de um quarteto cujos integrantes tiveram seus caminhos cruzados pelo do sanfoneiro, com quem cada um construiu um significativo laço de amizade.

Talvez por isso, o show do Cantoria Agreste foi mais do que uma homenagem, mas principalmente a catarse do carinho e da saudade evidenciados nos momentos de conversas com a plateia, quando os músicos lembravam dos episódios que viveram ao lado de Dominguinhos. Uma dessas histórias foi sobre a música “Lamento Sertanejo”, cuja letra foi composta por Gilberto Gil depois dele tomar conhecimento da versão instrumental que o garanhuense deu de presente para o Quinteto Violado, que a gravou primeiramente sob o título de “Forró de Dominguinhos”.

Acompanhado pelo zabumbeiro Raminho, o quarteto fez uma fusão dessas duas versões com a propriedade única de quem trafegou com intimidade pela carreira do homenageado. Assim também vieram as releituras de “Arrebol”, “A Fé no Lavrador”, “Eu só quero um xodó” e “Quem me levará sou eu”, explorando toda a versatilidade de Dominguinhos, recriada pelos arranjos de um quarteto competentíssimo: Marcelo e João nos violões, Gennaro na sanfona e Sérgio no ganzá e triângulo, além dos vocais.
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Indo além da obra do sanfoneiro, o projeto também incluiu no repertório algumas canções dos integrantes e uma versão agrestina de “Divina comédia humana”, de Belchior, que é um dos homenageados desta edição do FIG. “É um deleite pra quem gosta da música de boa qualidade, porque a gente trabalhou para emocionar as pessoas. Este ano estamos homenageando Dominguinhos, mas a Cantoria Agreste é uma grade que se abre para poder colocar o que há de melhor nessa ambiência de agreste e a mostrar a música dessa região para o mundo”, comentou Marcelo Melo, sobre a apresentação que cativou o plateia atraindo mais público para o polo.

Em seguida, o grupo fluminense MPB4 fez o show de encerramento da noite fazendo os presentes cantarem junto grandes clássicos da MPB, como “Yolanda”, “A voz na distância” e “Cicatrizes”. A apresentação também contou com blocos de músicas de compositores com os quais o grupo já trabalhou, trazendo à tona canções como “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, “Tarde em Itapoã”, de Toquinhos e Vinícius de Moraes, e “Cálice”, de Chico Buarque, essa última bastante ovacionada pelo público. “Para nós é maravilhoso tocar aqui, só viemos aqui uma vez, então essa é uma ótima oportunidade”, disse o cantor Miltinho, sobre a visita a Garanhuns.

Mais cedo o pernambucano Herbert Lucena apresentou o projeto “Sincopadamente Jacinto”, em que revive os cocos de Jacinto Silva ao lado da cantora Mel Nascimento. Buscando destacar a produção musical da cidade, o Festival de Inverno de Garanhuns conta com uma atração local todos os dias no palco Mestre Dominguinhos. Na segunda-feira, quem abriu o polo foram os garanhuenses da Still Living, acrescentando rock melódico ao dia. “A gente está orgulhoso, porque precisamos expressar o que a gente tem para o nosso público”, disse o vocalista Renato Costa, após o show.
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