segunda-feira, 22 de maio de 2017

Vivi do Pandeiro: De menino de rua, a Mestre da música popular

Depois de mais de 50 anos de carreira; mestre se diz grato por ter cantado por grande parte do nordeste. 
Cantor já homenageou a terra da garoa, ao compor a música: “Garanhuns Cidade das Flores”.

Ele não é filho natural de Garanhuns; nasceu no povoado de Neves, no entanto, se considera da terra da garoa, já que até homenagem a cidade já prestou: ao compor a música “Garanhuns Cidade das Flores”. Ivanildo de Oliveira, mais conhecido como “Vivi do Pandeiro”, canta desde os oito anos, mas profissionalmente, desde os 16. Sua história de vida, se confunde com a música, já que ele acabou morando em algumas cidades, com o propósito de fazer seus acordes ganharem prestígio e reconhecimento.

Por dominar alguns instrumentos, como por exemplo, bateria, violão, cavaquinho e pandeiro, Vivi passeia em seus CD’s, por diversos gêneros musicais, dentre eles a seresta, o samba, o pagode, o brega, o forró, e até mesmo o repente. “Eu me considero um artista popular. E isso significa cantar o que o povo gosta, sem distinção de gêneros musicais. Como dizia Cazuza: música não precisa ter gênero, música precisa ser boa”, defende Vivi, que em seu novo CD (arte acima), assina autoria da música: “Passei a noite te esperando”.

Homem simples, o Mestre Vivi relatou na conversa que manteve com o Blog do Gidi Santos, as dificuldades enfrentadas na vida. Vivi foi menino de rua, e sentiu o gosto amargo do abandono. Durante esse triste período, ele trabalhou no transporte de fretes de feiras, além de ter sido engraxate. Embora morasse na rua, o cantor nunca se dobrou a criminalidade, mesmo a vida não tendo sido nada fácil pra ele. “Fui menino de rua sim, mas fui digno, nunca roubei, sempre trabalhei, e por isso, fui arrimo de família”, diz ele.

Depois de mais de 50 anos de carreira, o mestre se diz grato, por ter cantado pelo nordeste afora, mas também se diz triste, já que de acordo com ele, Garanhuns, a cidade que ele escolheu para viver e chamar de sua, tem sido madrasta com seus artistas.

Ainda na conversa que manteve com o Blog, o Mestre defendeu a criação, aqui no município, de um festival que contemple artistas populares, a exemplo de violeiros, cancioneiros, repentistas, poetas declamadores, entre outros. Para Vivi, isso garantiria a manutenção da vocação artística que predomina na cidade. “Falo pela expiração e não tenho dúvidas, que acaso um festival popular fosse criado aqui na cidade, nós seríamos vistos de outra forma. O homem pode esquecer tudo, menos suas raízes, o repente, a viola, o pandeiro. Tudo isso é do Nordeste, e por tanto, de Garanhuns”, defende o músico.