segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Domingo de homenagens às vítimas da Hecatombe de Garanhuns

Durante todo o mês de janeiro, exposição “Hecatombe de Garanhuns”, seguirá recebendo 
visitações na sede do Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns. (Fonte: Secom - PMG)

Um fato que marcou a história de Garanhuns há exatos 100 anos foi lembrado em diversas atividades durante o domingo, 15 aqui no município. O dia foi repleto de homenagens a todos que foram vitimados na Hecatombe de Garanhuns. Um marco triste, mas que deve ser estudado e perpetuado pelas gerações, para que não seja esquecido. As atividades tiveram início logo pela manhã quando o “Grupo de Amigos Caminhantes do Parque” saíram pelas ruas da cidade em caminhada, até a chegada à loja de atendimento da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) — sede da antiga cadeia pública da cidade. No local, os caminhantes foram recebidos pela Orquestra Manoel Rabelo que executou o hino do Garanhuns e logo após foi respeitado um minuto de silêncio em homenagem aos mortos na centenária tragédia.

O momento contou com a presença do prefeito em exercício, Haroldo Vicente, de integrantes da Comissão do Memorial do Centenário da Hecatombe e representantes das famílias vitimadas no massacre de 1917. “O fato é marcante não apenas para Garanhuns, mas para todo Pernambuco, já que foi uma das maiores tragédias políticas do estado. A comissão surgiu com esse objetivo, de resgatar figuras que foram importantes durante o episódio. Para que a população tome conhecimento do outro lado da história, não apenas da violência da hecatombe”, declarou o presidente da Comissão do Memorial e integrante do Instituto Histórico Geográfico e Cultural de Garanhuns, o professor Cláudio Gonçalves.
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Através de uma parceria com a Compesa, a sede da instituição permitiu que a comissão organizasse uma homenagem por meio de uma placa, que foi instalada na entrada do prédio onde ocorreu a chacina. Dentre os mortos no episódio estava o coronel Júlio Brasileiro, prefeito eleito na época e que não pode tomar posse por ter sido assassinado no dia 14 de janeiro daquele ano. “É importante ressaltar que apesar da tragédia, o que prevalece é a paz. O fato ficou na história do município, mas aquilo que houve no passado não reflete em nosso futuro. Nessa data realmente não há comemoração, a família apenas segue enlutada pelos cem anos da tragédia”, declarou o representante da família Brasileiro, o controlador municipal, Glauco Brasileiro.

Complementando as atividades do centenário da Hecatombe foi realizado um culto na Igreja Presbiteriana Central, às 10h, e uma missa na Catedral de Santo Antônio, às 19h30. Além das celebrações religiosas a bandeira do município foi hasteada a meio mastro no dia de hoje, em frente ao Palácio Celso Galvão. Até o dia 31 de janeiro segue aberta para visitações a exposição “Hecatombe de Garanhuns”, das 08h às 17h, na sede do Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns (IHGCG).

O que foi a Hecatombe - O episódio, que aconteceu em 15 de janeiro de 1917, ficou marcado por ser uma série de assassinatos de comerciantes e políticos. O resultado da eleição teria motivado os assassinatos. Sales Vilanova, opositor político, matou o então prefeito eleito, Júlio Brasileiro, no dia 14 de janeiro, no Recife, capital do Estado. As outras pessoas foram assassinadas dentro da cadeia pública, onde estavam sob guarda. Os documentos mostram que mais de 15 pessoas foram mortas no período.
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GARANHUNS: Armas são roubadas da 1ª Delegacia de Polícia Civil

O autor, ou autores do furto, teriam pulado o muro e entrado pela porta dos fundos. O prédio foi interditado 
e o Instituto de Criminalística (IC) foi acionado para dar início às investigações. (NE10 Interior).

Uma metralhadora ponto 40 e uma espingarda calibre 12 que pertencem à Secretaria de Defesa Social (SDS) foram roubadas da 1ª Delegacia de Polícia de Garanhuns. De acordo com o Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), os policiais perceberam o arrombamento na manhã desta segunda (16). “A Delegacia é fechada na sexta e só é reaberta na segunda”, afirmou o diretor do Sinpol, Artur Pedro (foto).

Segundo o diretor, o autor, ou autores do furto, teriam pulado o muro e entrado pela porta dos fundos. O prédio foi interditado e o Instituto de Criminalística (IC) foi acionado para dar início às investigações. A Delegacia não tem câmeras de segurança. Em nota, a Polícia Civil informou que um  inquérito foi instaurado para apurar os fatos. O delegado seccional Flávio Pessoas foi designado, em caráter especial, para o caso. A Corregedoria também será comunicada para adotar as medidas cabíveis.

Veículo da Prefeitura de Garanhuns é assaltado na Rodovia BR-423

Na hora do assalto, sete pessoas estavam no veículo; ninguém ficou ferido. Motorista do 
transporte registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Garanhuns. (Fonte: NE10 Interior).

Um veículo do serviço de Transporte Fora de Domicílio da Secretaria de Saúde de Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, foi assaltado na madrugada desta segunda-feira (16) na BR 423, entre Jupi e Lajedo. Os Pacientes seriam levados para receber atendimento em Caruaru, Agreste Central do Estado. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde, três homens armados abordaram a van entre 04h30 e 5h, e pediram para os passageiros descerem. Os assaltantes roubaram celulares, dinheiro e outros pertences das vítimas. O veículo não foi levado.

Na hora do assalto, sete pessoas estavam no veículo; ninguém ficou ferido. Ainda segundo  a secretaria, o motorista registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Garanhuns. Umas das vítimas do assalto, que preferiu não se identificar, informou que os suspeitos jogaram a chave do veículo na estrada, para dar tempo de eles fugirem antes de a van sair. “Provavelmente eles pegaram o carro errado,  porque esse não é adesivado, afirmou a vítima, acrescentando que eles podem ter sido confundidos com sulanqueiros.

UMA HISTÓRIA VIVA: Hecatombe de Garanhuns completa 100 anos

Episódio, que aconteceu em 15 de janeiro de 1917, ficou marcado por ser uma série de 
assassinatos de comerciantes e políticos. (Com informações e arte do G1 Portal de Notícias ).

Dezoito pessoas mortas em uma cadeia pública. Este foi o resultado da tragédia que ficou conhecida como "Hecatombe de Garanhuns". Neste domingo (15), a chacina que vitimou políticos e comerciantes do município do Agreste de Pernambuco completa 100 anos. Ao G1, o coordenador da Comissão do Memorial Centenário da Hecatombe de Garanhuns, o professor Cláudio Gonçalves, afirma que o episódio foi uma das maiores tragédias políticas da história local.

Tudo começou em julho de 1916, quando houve eleição para prefeito de Garanhuns. O tenente-coronel Júlio Brasileiro e José da Rocha Carvalho disputavam a gestão municipal. "Júlio era deputado e Dr. Rocha era apoiado pelos antigos políticos que dominavam o município, que eram os Jardins. Essa eleição foi bastante tumultuada, com ameaças de surra de cipó de boi, listas negras ameaçando os adversários políticos, cruzes negras nas portas destes adversários", detalha o professor Cláudio.

O episódio de Hecatombe ficou marcado pela série de assassinatos, que teriam sido motivados pelo resultado da eleição de 7 de janeiro de 1917. Durante a campanha política, surgiu a figura do capitão Sales Vila Nova, que apoiava Rocha Carvalho. Como opositor político, o capitão matou a tiros o então prefeito eleito, Júlio Brasileiro - que não chegou a tomar posse, pois foi assassinado no dia 14 de janeiro daquele ano, no Recife. As outras pessoas - aliadas de Rocha Carvalho - foram assassinadas dentro da Cadeia Pública de Garanhuns, após os correligionários de Júlio armarem uma emboscada para vingar a morte do prefeito eleito. Os documentos mostram que cerca de 18 pessoas foram mortas na unidade prisional da cidade (retratada na imagem abaixo).
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Motivação da morte de Julio - De acordo com o coordenador da Comissão do Memorial da Hecatombe, o capitão Sales Vila Nova descobriu que Júlio não poderia ser candidato à Prefeitura de Garanhuns, já que ele era deputado e não havia terminado o mandato. "Tudo isso levou o governo do estado, por meio do governador Manuel Borba, a anular a eleição. Ele era aliado de Júlio e marcou uma nova eleição para 7 de janeiro de 1917. A oposição não participou desse processo eleitoral, já que Dr. Rocha renuncia, assim como o vice, Dr. Borba Júnior", explica Cláudio Gonçalves.

     O professor conta que antes de ocorrer essa eleição, durante o período de campanha, Júlio Brasileiro se encontrou com o capitão Sales Vila Nova no Centro de Garanhuns, onde havia a feira. Na ocasião, o tenente-coronel candidato à prefeitura ameaçou agredir Sales com cipó de boi. Este revidou a ameaça, dizendo que se fosse agredido, mataria Júlio.

"Na eleição, Júlio concorreu sozinho e foi eleito prefeito de Garanhuns. No dia seguinte, ele foi para a recepção do general Dantas Barreto, que estava visitando Recife. Passados seis dias, em 13 de janeiro, Sales foi cercado por seis homens mascarados - que eram os sobrinhos e irmãos de Julio, e um secretário da prefeitura. Ele levou a surra de cipó de boi e ficou todo retalhado. Até hoje, acredita-se que Júlio foi o mandante. No dia 14 de janeiro, o capitão Sales viajou para o Recife, encontrou Júlio e atirou nele. Segundo conta Cláudio Gonçalves, o prefeito eleito de Garanhuns estava no terraço de um restaurante quando foi atingido por dois disparos. Ele chegou a perseguir o capitão, mas foi ferido com outros dois tiros e morreu no local. No mesmo dia, Sales Vila Nova foi detido", revela o Professor Cláudio Gonçalves, do Instituto Histórico de Garanhuns.
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Aviso da morte de Júlio Brasileiro - No dia seguinte ao assassinato, o caso que ocorreu no Recife chegou em Garanhuns. A viúva, Ana Duperron Brasileiro, recebeu um telegrama que informava sobre a morte do marido dela. Depois disso, os aliados de Júlio começaram a chegar na casa onde ele morava. Tomada pelo ódio, a viúva de Júlio disse: 'Não derramarei nenhuma lágrima, se as outras não derramarem. E só vestirei luto depois que as outras vestirem'. A partir disso, foi iniciada uma trama para vingar a morte do tenente-coronel". Cláudio Gonçalves - "O irmão de Júlio não aceitou que a morte dele. Tinha sido vingança de Sales, mas o irmão de Brasileiro achou que foi a mando dos Jardins [e dos seguidores de Rocha Carvalho], que queriam tomar a chefia política de Garanhuns”.

'Hecatombe de Garanhuns' - Os familiares de Júlio Brasileiro decidiram vingar a morte dele. O sobrinho da vítima, Álvaro Viana, mandou um telegrama para o irmão, Alfredo Viana, convocando ele e outros homens para irem até Garanhuns. Com a chegada de Alfredo no município do Agreste pernambucano, cerca de 100 homens fortemente armados se reuniram na cidade. Eles começaram a invadir as casas dos adversários de Júlio Brasileiro. "Invadiram a casa de Borba Júnior, que era candidato a vice-prefeito de Rocha Carvalho. O delegado Meira Lima chegou a tempo e impediu a morte de Borba, dizendo que ele deveria ir para a cadeia pública", conta Cláudio.

A trama da vingança do assassinato de Júlio reuniu familiares, o juiz Abreu e Lima e o delegado Meira Lima. A ideia era levar todos os adversários do prefeito morto para a cadeia. Eles foram convencidos de ir até o local para se proteger, conforme destacou o professor Cláudio Gonçalves. Vários grupos cercaram o local e começaram a atirar. "Argemiro Miranda [um dos correligionários de Rocha Carvalho] conseguiu uma arma, enviada pela esposa de Francisco Veloso [outro opositor de Júlio], e revidou os tiros. Ele tentou escapar, mas morreu na porta da cadeia, que estava cercada", destaca Cláudio.
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Na ocasião, morreram 18 pessoas. Entre elas, sete políticos e um jovem que havia ido visitar o tio na cadeia. O nome "Hecatombe de Garanhuns" surgiu porque uma senhora - após perceber que haveria uma chacina - enviou um telegrama para o comandante da polícia, no Recife, com a frase "Enviar forças urgente, haverá uma hecatombe".  Hecatombe que é um termo grego que significa sacrifício de 100 bois ou massacre de um grande número de pessoas. "Os jornais locais começavam a falar do 'sucesso de Garanhuns', que era [o mesmo que] chacina. Mas, após o telegrama [do pedido de ajuda] ser publicado, começaram a chamar e episódio de hecatombe", explica o professor.

Julgamento da chacina e novo Prefeito - O julgamento da Hecatombe de Garanhuns teve início no dia 27 de setembro de 1918. A última sessão para a sentença ocorreu em 19 de novembro de 1918. O capitão Eutíquio da Silva Brasileiro – irmão de Júlio – foi condenado a 30 anos de prisão; Álvaro Brasileiro Viana – primo do prefeito assassinado – foi absolvido unanimemente; Alfredo Brasileiro Viana – também primo de Júlio, foi condenado a 30 anos de prisão; o delegado Meira Lima foi condenado a perder o emprego. Quem assumiu a Prefeitura de Garanhuns naquele ano foi Joaquim Alves Barreto Coelho, que era Presidente do Conselheiro Municipal. O vice de Júlio Brasileiro, o capitão Thomaz Maia, não assumiu porque foi preso acusado de fornecer querosene para incendiar as casas comerciais das vítimas após a Hecatombe.

Livro sobre testemunha da tragédia - O maestro francês Fernand Jouteux se mudou para o Brasil em busca de inspiração, como afirma o escritor Ígor Cardoso, autor do livro "Fernand Jouteux - O maestro de chapéu de couro”. O músico morou durante 35 anos em Garanhuns e se baseou no livro "Os Sertões", de Euclides da Cunha, para escrever uma das suas maiores obras. "A grande obra da vida dele foi uma ópera chamada “O Sertão”, composta na fazenda “Belle Alliance” e inspirada na nossa cultura, em Canudos e em Antônio Conselheiro. Acabou se radicando na cidade por ser perto do Sertão", conta Ígor.

Fernand era um grande amigo do cônego Benigno Lira, um dos personagens centrais da hecatombe. Lira era erudito, poeta e gostava de música clássica. Além de vir de uma importante família de Alagoas e Pernambuco, dona de usineiras. "Ele [Lira] tem participação em todos os eventos. Apoiou a estratégia da viúva e ao mesmo tempo convenceu os políticos a se recolherem na cadeia", revela.

O maestro tentou ser fazendeiro, mas logo depois do desastre da hecatombe, o pai dele morreu na França, e ele voltou ao país de origem. Também não conseguiu o apoio que queria para montar a ópera. "Ele chega a compor uma valsa, a 'Bela Aliança', onde cita nominalmente as amarguras que tem passado e fala sobre a hecatombe, o grande motivo de ter desistido de ser fazendeiro e de viver em Garanhuns. Fernand volta para a França, passa um tempo e não fica feliz. Retorna para o Brasil, vai morar novamente em Garanhuns e encontra um cenário diferente", completa o escritor. O livro "Fernand Jouteux - O maestro de chapéu de couro” foi lançado no dia 25 de julho de 2015, no Instituto Histórico Geográfico e Cultural de Garanhuns (IHGCG), durante o Festival de Inverno realizado na cidade.