terça-feira, 14 de novembro de 2017

Paulo sobre a Operação Torrentes: “Para acusar precisa ter provas”

De acordo com o governador, peças acusatórias que estão sendo analisadas pelo 
governo não mostram onde há superfaturamento. (JC / Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem).

O governador Paulo Câmara (PSB) falou pela primeira vez, nesta segunda-feira (13), sobre a Operação Torrentes, deflagrada pela Polícia Federal na última semana para investigar supostas fraudes de recursos federais destinados a ações de reconstrução de cidades pernambucanas atingidas por enchentes, neste ano e em 2010. Para o socialista, as provas ainda não foram apresentadas.

De acordo com o governador, as peças acusatórias que estão sendo analisadas pelo governo não mostram onde há superfaturamento. "Se falar de superfaturamento, tem que mostrar onde está o superfaturamento, eu quero ver onde está. Se tiver vou ser o primeiro a punir, mas as peças que nós vimos não mostram claramente. Há nessa investigação um olhar sobre um grupo de empresas que poderiam ter sido favorecidas por servidores públicos e isso precisa ser apurado, mandei olhar todos os contratos, não vou admitir erro em nenhum deles. Agora, eu tenho clareza que acusar precisa ter provas, precisa estar no inquérito, estar na denúncia e isso, infelizmente, não foi visto ainda", disse Paulo Câmara durante aula inaugural do Curso de Formação e Habilitação de Praças Bombeiro Militar (CFHP BM), no Centro de Convenções.

OPERAÇÃO TORRENTES - A Polícia Federal investiga fraudes que podem chegar a até 30% em contratos que totalizam R$ 450 milhões para compra de comida, colchões, filtros de água e lonas de proteção para flagelados das cheias na Zona da Mata Sul do estado. Os 260 agentes da PF, de 10 estados, realizaram buscas, na última quinta-feira, nos prédios da Casa Militar do governo pernambucano, onde atuavam os PMs detidos, e da Vice-Governadoria, no Recife. Houve operação também no Centro de Abastecimento de Pernambuco (Ceasa), Coordenadoria de Defesa Civil (Codecipe), bem como em imóveis no Recife e em Olinda. A Polícia Federal cumpriu 15 mandados de prisão temporária, 21 mandados de condução coercitiva e 36 mandados de busca e apreensão.

No dia da operação, o governo lançou nota classificando a operação como "processo de espetacularização negativa das atividades de controle da atuação pública" e disse ser desproporcional a operação realizada no Gabinete do chefe da Casa Militar, no Palácio do Campo das Princesas. Nessa segunda, Paulo Câmara declarou que não pode achar a ação algo "normal". "O inquérito mostra que todos os prédios onde funcionam a Defesa Civil, onde estão documentos não ficam no Palácio do Governo, ficam em outros prédios. Mas o Judiciário determinou busca e apreensão no gabinete do secretário, que funciona no prédio do Palácio, temos que respeitar isso, mas não podemos achar que é normal", comentou.
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