sexta-feira, 22 de setembro de 2017

TJPE expõe Paulo Câmara: "Crise da violência não é nacional"

Segundo o Tribunal, no primeiro semestre, a alta de assassinatos em Pernambuco
foi de 37,88%, enquanto a média nacional foi de 6,59%. (Giovanni Sandes)

Após um dia que terminou com o governador Paulo Câmara (PSB) desautorizando qualquer crítica às audiências de custódia como razão do aumento da violência no Estado, causou espanto à base governista, a nota do Tribunal de Justiça de Pernambuco. O TJPE desmonta o discurso de Paulo e do PSB de que a violência é uma crise nacional. O objetivo era fazer a defesa das audiências de custódia. Na prática, expôs a tese principal do PSB em defesa do governo Paulo Câmara e do Pacto pela Vida.

Só no primeiro semestre, grifou o TJPE na nota, a alta de assassinatos em Pernambuco foi de 37,88%, enquanto a média nacional foi de 6,59%. A nota do TJ cita ainda que os Estados nordestinos da Bahia e Paraíba aferem homicídios em queda, ou seja, disse que a crise não é nacional. Quando é a oposição quem critica, um governo sempre pode recorrer ao discurso da politização. Se é o TJPE, aí complica.

A base de Paulo ficou estarrecida. A crítica às audiências de custódia ganhava corpo na Assembleia Legislativa. Deputados queriam até uma audiência pública. O TJPE e o Ministério Público reagiram. Ontem, Paulo anunciou mais policiais e políticas para o setor. Isso quatro dias após o violento fim de semana. E já com outro round perdido na comunicação, com a dura crítica do TJPE.


Veja a íntegra da nota do TJPE sobre o caso

*Nota a respeito das audiências de custódia*

Diante da divulgação de artigo na página oficial do Governo do Estado, no qual procura associar o aumento da criminalidade em Pernambuco com a realização das audiências de custódia, é necessário prestar os seguintes esclarecimentos:

Em reportagem divulgada pelo jornal Estadão no mês passado (agosto), com dados fornecidos pelas secretarias estaduais voltadas à segurança, o Estado de Pernambuco responde por metade da alta de homicídios no Brasil. Comparados o primeiro semestre de 2016 e o primeiro semestre de 2017, o número de homicídios no Estado pernambucano subiu 37,88%, enquanto que a média nacional foi de 6,79%.

No tocante às audiências de custódia, Pernambuco é um dos estados que possui maior porcentagem de manutenção das prisões. De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), enquanto que a média nacional é de 55,32% de prisões preventivas decretadas, em Pernambuco esse índice chega a 60,35%.

Na Paraíba, estado vizinho, o porcentual de prisões nas audiências de custódia é inferior a Pernambuco: 55,68%, enquanto que o índice de homicídios caiu, ficando em -9,63%. Outro exemplo é o da Bahia. No primeiro semestre de 2016, aquele estado possuía um número de homicídios superior a Pernambuco e conseguiu reduzir a criminalidade, atingindo um porcentual de -2,41% no primeiro semestre de 2017, apesar de o número de prisões mantidas nas audiências de custódia ser de 38,75% apenas.

Se o aumento da violência em Pernambuco está relacionado com a liberação de presos nas audiências de custódia, por que é que os demais Estados conseguiram reduzir o número de homicídios apesar de apresentarem porcentuais de manutenção de prisões inferiores a Pernambuco nas audiências de custódia?

O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) sempre auxiliou o Governo do Estado na busca de soluções para a redução da criminalidade, mantendo diálogo aberto e franco e participando ativamente das reuniões do Pacto pela Vida. Porém, o Poder Judiciário estadual também tem o dever de esclarecer, em respeito à sociedade e ao trabalho desenvolvido, que as audiências de custódia não são o motivo do aumento da criminalidade em nosso Estado. O Tribunal reafirma o seu papel no diálogo entre as instituições, na busca por ações voltadas à  pacificação social e no cumprimento da legislação.

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