segunda-feira, 25 de setembro de 2017

OAB critica Jungman e sua ideia de grampear presos e advogados

Sobre a fala de Raul, Presidente do Conselho da OAB rebate: “Com essa afirmação, 
ministro utilizou-se de subterfúgios para não assumir suas responsabilidades”. (Jamildo Melo).

“A ideia de gravar as conversas entre advogados e seus clientes presos confunde a sociedade, dando a entender que os profissionais do Direito são responsáveis pelo avanço da violência”. A afirmação é do presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Claudio Lamachia (foto abaixo), que emitiu uma nota no último sábado (23/9) para criticar a sugestão do ministro da Defesa, Raul Jungmann, de gravar as conversas entre condenados por tráfico e seus advogados, como modo de combater o crime organizado.

A possibilidade, que, segundo o ministro, foi aventada pela nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, é instalar parlatórios nos presídios federais, onde as visitas ficam separadas dos detentos por um vidro e a comunicação se dá por um telefone, grampeado pela administração do cárcere. “Não será com soluções simplistas que o quadro atual será superado”, diz o Presidente do Conselho na nota.

Lamachia, ainda afirma que a gravação de qualquer diálogo entre advogados e clientes é crime, “prática que jamais deveria ser defendida por quem quer que seja, especialmente por aqueles que fazem parte do sistema de Justiça”. Ele garante que a OAB agirá com rigor e punirá os profissionais que cometerem alguma ilegalidade, mas ressalta que a entidade não defenderá qualquer tipo de ato que esteja fora das normas constitucionais. “Não se combate o crime cometendo outros crimes e não será com soluções simplistas que o quadro atual será superado”, alerta.

“Com essa afirmação, o ministro utilizou-se de subterfúgios para não assumir suas responsabilidades”, ainda defende Lamachia. “Face a incapacidade em utilizar de métodos de inteligência investigativa, algo elementar na abordagem moderna de combate ao crime, mira a advocacia, como se dela fosse a culpa pela existência das quadrilhas que comandam as prisões”, finaliza, lamentando.
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