quinta-feira, 27 de julho de 2017

Segunda de Festival de Inverno foi de homenagem à Dominguinhos

Releituras de composições brasileiras marcaram a noite no
maior palco do evento. (Do Portal Cultura PE / Fotos: Jorge Farias).

Grandes ícones da música nacional brasileira foram a pauta da última segunda-feira, dia 25 de julho, no palco Mestre Dominguinhos, que teve o sanfoneiro garanhuense como homenageado pelo Cantoria Agreste. Formado pelos veteranos Marcelo Melo, do Quinteto Violado, Sérgio Andrade, fundador da Banda de Pau e Corda, Gennaro, ex-Trio Nordestino, e João Neto, que tocou guitarra na banda do próprio Dominguinhos em seus últimos 13 anos de vida, o projeto prestou um sensível tributo a obra do Mestre e deu uma verdadeira aula sobre a trajetória do músico. Não era de se esperar menos de um quarteto cujos integrantes tiveram seus caminhos cruzados pelo do sanfoneiro, com quem cada um construiu um significativo laço de amizade.

Talvez por isso, o show do Cantoria Agreste foi mais do que uma homenagem, mas principalmente a catarse do carinho e da saudade evidenciados nos momentos de conversas com a plateia, quando os músicos lembravam dos episódios que viveram ao lado de Dominguinhos. Uma dessas histórias foi sobre a música “Lamento Sertanejo”, cuja letra foi composta por Gilberto Gil depois dele tomar conhecimento da versão instrumental que o garanhuense deu de presente para o Quinteto Violado, que a gravou primeiramente sob o título de “Forró de Dominguinhos”.

Acompanhado pelo zabumbeiro Raminho, o quarteto fez uma fusão dessas duas versões com a propriedade única de quem trafegou com intimidade pela carreira do homenageado. Assim também vieram as releituras de “Arrebol”, “A Fé no Lavrador”, “Eu só quero um xodó” e “Quem me levará sou eu”, explorando toda a versatilidade de Dominguinhos, recriada pelos arranjos de um quarteto competentíssimo: Marcelo e João nos violões, Gennaro na sanfona e Sérgio no ganzá e triângulo, além dos vocais.
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Indo além da obra do sanfoneiro, o projeto também incluiu no repertório algumas canções dos integrantes e uma versão agrestina de “Divina comédia humana”, de Belchior, que é um dos homenageados desta edição do FIG. “É um deleite pra quem gosta da música de boa qualidade, porque a gente trabalhou para emocionar as pessoas. Este ano estamos homenageando Dominguinhos, mas a Cantoria Agreste é uma grade que se abre para poder colocar o que há de melhor nessa ambiência de agreste e a mostrar a música dessa região para o mundo”, comentou Marcelo Melo, sobre a apresentação que cativou o plateia atraindo mais público para o polo.

Em seguida, o grupo fluminense MPB4 fez o show de encerramento da noite fazendo os presentes cantarem junto grandes clássicos da MPB, como “Yolanda”, “A voz na distância” e “Cicatrizes”. A apresentação também contou com blocos de músicas de compositores com os quais o grupo já trabalhou, trazendo à tona canções como “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, “Tarde em Itapoã”, de Toquinhos e Vinícius de Moraes, e “Cálice”, de Chico Buarque, essa última bastante ovacionada pelo público. “Para nós é maravilhoso tocar aqui, só viemos aqui uma vez, então essa é uma ótima oportunidade”, disse o cantor Miltinho, sobre a visita a Garanhuns.

Mais cedo o pernambucano Herbert Lucena apresentou o projeto “Sincopadamente Jacinto”, em que revive os cocos de Jacinto Silva ao lado da cantora Mel Nascimento. Buscando destacar a produção musical da cidade, o Festival de Inverno de Garanhuns conta com uma atração local todos os dias no palco Mestre Dominguinhos. Na segunda-feira, quem abriu o polo foram os garanhuenses da Still Living, acrescentando rock melódico ao dia. “A gente está orgulhoso, porque precisamos expressar o que a gente tem para o nosso público”, disse o vocalista Renato Costa, após o show.
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