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sexta-feira, 28 de julho de 2017

Noite dos camisas pretas fez tremer as estruturas do Palco Pop

Com os shows das bandas Alkymeia, Sinaya e Devotos, público se divertiu bastante 
com direito a várias rodas punks. (Do Portal Cultura PE / Fotos: Rodrigo Ramos).

O chão e as estruturas do Palco Pop vibraram nesta quinta-feira (27), noite dedicada aos camisas pretas amantes do metal e hardcore. Com direito a rodas punks e muita batida de cabeça, o público se divertiu com apresentações das bandas Alkymenia (Caruaru), Sinaya (SP) e de uma das mais importantes bandas do cenário underground e independente brasileiro, a Devotos, que segue em comemoração aos seus 20 anos do lançamento do disco “Agora Tá Valendo” (1997).

Formada por Cannibal (baixo e voz), Neilton Carvalho (guitarra) e Celo Brown (bateria), amigos da vizinhança do Alto José do Pinho, Devotos subiu ao palco com uma faixa com a hashtag #AmeDaniel, uma campanha para arrecadar fundos para o tratamento de uma criança de Olinda que nasceu com uma doença rara, a Atrofia Muscular Espinhal. “Eu sei que a situação do nosso país está complicada e que temos muitos problemas para resolver, mas preciso falar de uma coisa séria. Conheci de perto esse menino e a família dele está passando por uma luta imensa. E, hoje, faço um apelo para cada um aqui ajudar como puder”, disse Cannibal, para na sequência emendar com as músicas “Formando Opiniões”, “Dia Morto” e “Punk, Rock, Hardcore”.

“A gente pegou o repertório desse álbum, que teve uma repercussão muito grande na cena underground nacional daquela época. E foi bem legal trazer esse show aqui pro FIG, porque você toca pra pessoas de vários lugares. Eu gosto muito de Garanhuns por causa disso, vem muita gente diferente”, comemorou Cannibal. Foi uma noite de reencontros e participações especiais. De Maceió, o cantor Adriano Aranos, da banda Sinsinhor, cantou ao lado dos Devotos as canções “Asa Preta” e “Luz da Salvação”. Noutro momento, Clécio Veloso, de Garanhuns, também subiu ao palco.
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A cena punk se articulou no mesmo momento da efervescência musical do movimento mangue da década de 90. Parceiro musical desta época, quando integrava a Chico Science e Nação Zumbi, o percussionista Gilmar Bola Oito está fazendo a apresentação do Palpo Pop e nunca imaginou que um dia chamaria a Devotos para começar um show. De cima do palco, se divertia como um adolescente quando vê sua banda favorita pela primeira vez. “Encerrar a noite dos camisas pretas com Devotos foi a cereja do bolo. Essa é uma banda que já toquei junto várias vezes pela periferia do Recife. Nunca imaginei que um dia fosse apresentar um show deles durante um festival tão importante como é o FIG. Os caras continuam jovens e bem atual com o hardcore na veia”, disse Gilmar.

A noite teve também a presença de palco dos metaleiros da Alkymenia, que já tocou no FIG na edição de 2013, numa noite dedicada aos camisas pretas na Praça Mestre Dominguinhos. “Neste dia, a gente se apresentou ao lado de artistas como Os Valvulados, daqui de Garanhuns, Desalma, do Recife, o Krisium e o Raimundos. Durante esses quatros anos aconteceram muitas coisas bacanas. A gente acabou participando muito da cena sul-sudeste, moramos em São Paulo durante um ano e meio, e foi uma experiência enriquecedora”, explicou o cantor e baixista Lalo Silva, que dedicou o show da banda aos grupos undergrounds de Garanhuns.
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O repertório foi baseado principalmente no disco Strong and Unfailing As a Thunder (em livre tradução, Forte e Infalível como um Trovão), lançado este ano, conta com 13 músicas inéditas. “Neste álbum ,a gente fala dessa correria do povo nordestino, que, mesmo sofrendo, não desiste nunca, sempre forte como um trovão. Muita coisa mudou nesse disco novo também. Por exemplo, Dennis Kremier, baterista do grupo, tirou os tons e surdos de fábricas industriais do set do seu instrumento e substituiu por alfaias produzidas por João do Pife, um mestre da nossa terra”, explicou o baixista da banda.

Formada só por mulheres, a banda Sinaya se apresentou pela primeira vez no Nordeste, nesta quinta-feira (27). Quem estava na plateia para conferir de perto foi Ana Julia, moradora de Garanhuns, de 19 anos, que conheceu o grupo paulista através da programação do FIG 2017. “Quando a grade saiu, eu fui procurar saber mais sobre a banda na internet e pesquisei várias músicas. Assim que soube que era formada só por mulheres, fiquei ainda mais instigada com o projeto. Por isso, vim hoje ao Palco Pop. Gostei muito da apresentação delas e até pedi música”, disse ela.

Renata Petrele, guitarrista solo na Sinaya, encara com naturalidade o avanço da presença feminina no rock brasileiro, especialmente no metal. “Ainda existe uma preconceito velado de curiosidade. O pessoal vai ver o nosso show pra ver se de fato a gente toca. Mas isso era muito mais forte no começo da banda, hoje em dia a gente tem um público e a galera vai curtir nosso som. E existem outras bandas femininas que mostraram que este não é um som só pra homem. As mulheres estão tocando e a galera está curtindo bastante”, avalia Petrele, que ficou emocionada com a recepção e carinho do público. “O povo nordestino tem uma fama de ser muito acolhedor e isso é verdade. Aqui a turma do metal abraça mesmo a causa e foi bem legal ver as loucuras que o pessoal estava fazendo na plateia, bem empolgados. Queremos voltar outras vezes”, revelou.
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