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segunda-feira, 24 de julho de 2017

Mais de 40 mil pessoas estiveram no show de Zeca Pagadinho

Além do sambista de Xerém, Ifá, Zé Brown e Donas levaram a riqueza da música negra ao palco da praça
Mestre Dominguinhos. (Do Portal Cultura PE – Fotos: Elimar Pereira/Caranguejo e Fer Verícimo.

Atração mais aguardada até o momento, Zeca Pagodinho trouxe a potência de seu samba para o Festival de Inverno de Garanhuns 2017 e fez todo mundo dançar no miudinho. No show da noite deste domingo (23), o cantor carioca, filho de Ogum, não tocou só os pés, mas o coração do público, falou de esperança, exaltou o samba de raiz e ainda fez poesia embalada pelo som de um time de bambas de primeira linha. Em mais de uma hora de apresentação, Zeca não economizou sucessos, para a alegria de quem não arredou o pé do palco Mestre Dominguinhos até ouvir o último som do cavaquinho.

A terceira noite de shows no maior palco do festival foi uma verdadeira mostra da pluralidade da música negra. Samba, Rap, Afrobeat deram o tom da festa, que agregou públicos diversos. Valorizar a produção da cultura negra tem sido uma característica marcante na programação do Festival nos últimos anos. Além dos polos segmentados como o de Cultura Popular Ariano Suassuna, o Festival tem proporcionado especial visibilidade para a produção cultural negra em todos os palcos que compõem a programação.

Sob a proteção de São Jorge, Zeca chegou em Garanhuns discreto, falou com poucas pessoas antes do show e preferiu se manter num ponto fixo do palco. A posição, no entanto, não impediu que logo se estabelecesse uma interação com a plateia, formada por jovens, crianças, mulheres e homens mais velhos, gente que veio de longe e de perto. Todo mundo estava lá para se apropriar da sua música preferida, do seu pedaço de Zeca. O repertório contemplou canções como “Judia de mim”, “Deixa a vida me levar”, “Vai vadiar”, “Vou botar teu nome na macumba” e “Incandeia”.
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Antes do sambista se apresentar na quarta noite do FIG, Cafuringa e Banda, abriu os trabalho, registrando sua 15ª participação no Festival. Em seguida, após Zeca, o palco Dominguinhos deu passagem para o mix de Afrobeat com ritmos regionais, além de Funk e Soul, da banda Ifá. Foi a segunda vez do grupo baiano no Estado e todos pareciam bem empolgados com a participação no Festival. Isso ficou claro na fala do vocalista Fabrício Mota, que fez questão de exaltar a cultura pernambucana e o mestre Dominguinhos. “Estamos fazendo Afrobeat com o sentimento de amor que Dominguinhos ensinou para todos nós”, disse, arrancando os aplausos do público.

Desde 2013, o Ifá vem ganhando notoriedade no cenário não só nordestino, mas nacional. Formada por nove músicos de várias cidades da Bahia, o grupo surgiu com a proposta de fazer instrumental para todos os públicos. E conseguiu. Pelo menos foi o que deu pra perceber ao longo da apresentação dos instrumentistas no FIG 2017. Mesmo quem nunca nem ouviu falar de Fela Kuti, grande pai do Afrobeat, foi fisgado pela música preta em sua mais elevada potência. Sem dúvida, o Ifá protagonizou um dos momentos mais bonitos do palco Mestre Dominguinhos, instalada na praça de mesmo nome.
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PE tem Rap - Pernambuco tem Rap e o FIG 2017 mostrou um pouco da riqueza da cena Hip Hop regional na terceira noite da programação do Palco Mestre Dominguinhos. A primeira atração, o grupo Donas, formado na capital do Estado há 13 anos, mostrou a força do rap feito pela mulher nordestina. Composto pelas MC’s Mariana MJ e Fabiana Rossini, Donas foi o primeiro grupo de rap feminino a subir no palco principal do Festival, que acontece há 27 anos. As letras das músicas são marcadas por mensagens de empoderamento feminino, de combate ao racismo e feminicídio.

A apresentação foi reforçada pelas participações especiais da poetiza Luna Vitrolira, a malabarista Yasmim Amaral e o poeta Tony Amaral. O MC pernambucano Tiger e DJ Dagga também integraram a performance do show, que deu espaço para o brega de Reginaldo Rossi com uma versão da música “Desterro”. “Estamos muito felizes por sermos as primeiras mulheres da cena rap pernambucana a subir no palco principal do Festival de Inverno de Garanhuns”, disse a MC Mariana, que não economizou nas palavras. As Donas mostraram que o rap pensado pela mulher, brasileira, em especial a nordestina amadureceu e não pede passagem. Ele invade e tá inventando seu próprio caminho.
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