terça-feira, 25 de julho de 2017

Casa Galeria Galpão está oferecendo diversas ações durante o FIG

Espaço reúne trabalhos de diferentes linguagens artísticas, instigando reflexões, interatividade 
e contemplação através das obras expostas. (Do Portal Cultura PE / Fotos: Fer Verícimo/Secult/PE).

Espaço de criação artística, debate, resistência e colaboração, a Casa Galeria Galpão abriu as portas no último domingo (23), trazendo para o 27º Festival de Inverno de Garanhuns mais de 10 exposições de linguagens variadas (fotografia, artes visuais, design, moda), além de intervenções, performances, debates, mostra de teatro e um mercado colaborativo, que está acontecendo pela primeira vez nesta edição.

“O Mercado UnaDesign é a novidade deste ano da Galeria e conta com 17 pequenos produtores de moda e design, que estão expondo e comercializando seus produtos. Idealizado pelas marcas Cirandela (estamparia autoral) e Aladê (camiseteria), o local vai promover Flash Days de tatoo com Marcelo Menezes, cortes de cabelo com Belle Souza, além da comercialização de objetos de decoração, acessórios e roupas”, explica a assessora de Design e Moda da Secult-PE, Janaína Branco.
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A Casa Galeria Galpão está com quatro exposições de Artes Visuais, “Traços de um Rio”, de Artur Sgambatti e Vladimir Ospina, que registra, através de desenhos, a realidade dos atingidos pela derrubada da barragem do Fundão, em Mariana, no estado brasileiro de Minas Gerais. A obra recria um mapa dos locais por onde os artistas passaram após uma viagem de 20 dias e deu origem ao livro “Traços de Um Rio – Cadernos de Viagem”, que está sendo vendido na Praça da Palavra. Os artistas pretendem desenvolver ainda mais a obra, realizando um documentário sobre os efeitos da tragédia.

Nas Artes Visuais, também estão presentes a obra “Construção da Desconstrução”, de Daaniel Araújo, com obras feitas em óleo e acrílica sobre pedaços de madeira e concreto reaproveitados pelo artista; “Alinhavos”, de Joyce Torquato, que é uma artista de Garanhuns, com ilustrações feitas a partir de colagens e aquarela; “Parquê”, de Adah Lisboa, que questiona o que se generaliza como “bagunça” e “CALOR”, de Raoni Assis, um painel em grafite na entrada da Galeria.
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Além das exposições, fazem parte das ações de Artes Visuais as performances Descamada, de Carol Azevedo, realizada na noite de abertura da casa propondo reflexões sobre corpo e gênero, a partir do rompimento com uma “segunda pele”, representada por uma meia calça que envolvia o corpo nu da artista; #Tecnologiaaservicodaorgia, de Kalor Pacheco, sobre a hipersexualização do corpo feminino, principalmente o de mulheres negras, que vai acontecer na sexta(28), às 18h30 e Distopia, das artistas Fernanda Fernandes, Carolina Perini e Raquel Abdian (Coletivo Espectro), que abordam, em três atos, os problemas da metrópole através da fusão de objetos, sons, ruídos, numa performance audiovisual em tempo real.

“Em parceria com o Sesc, também estamos trazendo para a Galeria Galpão o projeto Itinerância – Incerteza Viva, que faz parte da 32ª Bienal de São Paulo. O artista Bené Fonteles fará a série de debates Conversas para Adiar o Fim do Mundo, de segunda (24) a quinta (27), sempre às 17h, apresentando a construção do trabalho Ocataperaterreiro, além de fazer um bate-papo sobre a questão indígena e sobre a poesia, trazendo convidados como Adiel Luna e Bráulio Tavares”, explica o coordenador de Artes Visuais da Secult-PE, Márcio Almeida.
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Fotografia – Ao todo, são quatro exposições de fotografia na Galeria, sendo uma delas da artista garanhuense Thayná Chaves. Ela apresenta “A Saga dos Invisíveis”, sobre moradores de rua e dependentes químicos. A expo “O Jogo da Bola em Garanhuns”, de Iezu Kaeru e Eustáquio Neves, traz o universo do futebol amador através de um olhar poético sobre as peladas e jogos de rua. Na sala da exposição, uma mesa de totó, o clássico futebol de mesa, convida o visitante a interagir. A mostra “Williamsburg: Paisagem em Transformação”, de Caique Cunha, traz uma série de fotos em preto e branco sobre o processo de gentrificação (enriquecimento de áreas pobres) no bairro de Williamsburg, da periferia de Nova York. “Comecei a perceber o movimento de expulsão das pessoas que viviam ali, as mudanças no dia a dia com a construção de prédios gigantes numa área onde basicamente não havia edifícios altos, lojas que fecharam.

Ao observar as imagens, ninguém iria associar a uma NY de 2017. Embora o ensaio seja ambientado em NY, percebo que esse é um processo que vem acontecendo em várias cidades brasileiras, como o Rio de Janeiro e o Recife, por exemplo”, explica o fotógrafo carioca Caique Cunha, que veio pela primeira vez ao Nordeste para expor no FIG. Completando a mostra de fotografia, a exposição “O Olho da Graxa”, de João Zarai, feita a partir de celular, aborda o mundo do Backstage, o trabalho dos profissionais que preparam o som para os espetáculos.
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Teatro – A Galeria está recebendo pela segunda vez a Mostra de Teatro Alternativo, com espetáculos a partir das 22h, de segunda (24) a sábado (29). “A mostra teve início ano passado, quando alguns artistas que não entraram no circuito oficial do FIG se apresetaram em espaços alternativos. Esse ano, a iniciativa foi abraçada pela Fundarpe e teremos seis espetáculos”, explica o produtor da mostra, Ivo Barreto. As peças são “A Última Cólera no Corpo de Meu Negro” – Cia Experimental de Teatro (seg), “Eu Gosto Mesmo de Pezinho de Galinha Porque eu Como a Carninha e Limpo o Dente com a Unhinha” –  Experimento Pezinho de Galinha – (ter); “Que Muito Amou” – Cênicas Cia de Repertório – (qua); “Delicado” – Coletivo Grão Comum – (qui); “O Velho Diário da Insônia” – Grupo Independente de Teatro Alternativo – (sex) e “A Máquina” – Teatro de Retalhos  (sáb).

Segundo o coordenador de fotografia da Secult-PE, Jarbas Araújo, mais de 4 mil pessoas circularam pela Galeria Galpão na última edição e a expectativa é de que o público continue frequentando e participando das atividades desta grande instalação coletiva. “Sempre venho na Galeria porque é um local que nos deixa expressar o que sentimos, rolam muitas atividades interessantes aqui. Considero o espaço mais democrático do FIG”, afirmou a designer Sarah Barros, que estava presente na abertura da galeria.

Serviço:
Galeria Galpão
Av. Dantas Barreto, 34, Centro – Garanhuns
Horário de visitação: 16h às 21h, de 23 a 29 de julho
Mostra de Teatro Alternativo da Galeria: 22h
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