.

.

domingo, 30 de julho de 2017

FIG chega ao fim, sob fortes críticas da população garanhuense

Ao falar ao Blog do Gidi Santos, comerciante local chegou a dizer que do ponto de vista econômico, 
o FIG, foi um prejuízo, e que no geral, a Fundarpe, a Secult-PE e o Governador, "arranharam o festival.

Sob chuva fina e muito frio; ao som da carioca Fernanda Abreu, e sob fortes críticas por parte dos garanhuense, chegou ao fim no último sábado, 29 de julho, a 27ª edição do Festival de Inverno de Garanhuns (FIG). Após dez dias dedicados a uma vasta, dinâmica e diversificada programação, que percorreu desde a música erudita com o Virtuosi na Serra e o Conservatório Pernambucano de Música, com seus shows apresentados na Igreja Matriz Catedral de Santo Antônio, o Festival de Inverno de Garanhuns, ainda presenteou muita gente em diversos outros campos das artes.

Cinema, dança, circo, oficinas, teatro, performances, exposições, dentre tantas outras manifestações de cultura passaram e puderam ser vistas gratuitamente em Garanhuns, que se torna durante o período em que se realiza o evento, na “Capital Mundial da Cultura”.

Embora muito questionadas, as atrações do palco Mestre Dominguinhos, não decepcionaram e deram cada uma ao seu formato, um tom mais harmonioso ao evento. Anualmente, shows considerados de “massa”, costumam estar presentes na grade de programação da Mestre Dominguinhos – algo que não ocorreu esse ano. Esses shows, que em geral são de artistas Pop Rock, são responsáveis por levar uma verdadeira multidão a praça, além de ainda, aquecer positivamente o comércio, em bares, restaurantes e hotéis.
.

Bandas como Capital Inicial, Biquini Cavadão, entre outras, são muito aguardadas no FIG, mas esse ano, em razão da Fundarpe-Secult-PE, ter valorizado nas contratações, artistas que fazem  parte da cena cultural pernambucana, além da nordestina, esses shows acabaram não ocorrendo aqui na cidade. Com isso, não sobrou espaços à serem preenchidos, e assim, as críticas dirigidas a Fundarpe e a Secretaria, assim como ao Governador Paulo Câmara, (responsáveis pelo evento), tomaram as redes sociais.

Um dia em específico, chocou mais efetivamente os garanhuenses. A segunda-feira, dia 24, na praça mestre dominguinhos, foi de um público nunca antes visto na história dos festivais. Contou-se uma a uma, as pessoas que se juntaram ao pequeno e seleto grupo de expectadores. No palco principal, naquela noite, se apresentaram nomes consagrados, como o grupo MPB4, que acumula mais de quarenta anos de carreira, além do projeto Cantoria do Agreste, que na ocasião, homenageou o garanhuense Dominguinhos.

Naquela noite, em homenagem a Domingos, o Cantoria do Agreste trouxe artistas como Marcelo Melo, do Quinteto Violado, Sérgio Andrade, fundador da Banda de Pau e Corda, Gennaro, ex-Trio Nordestino, e João Neto, que tocou guitarra na banda do próprio Dominguinhos, nos seus últimos 13 anos de vida.
.

De forma geral, a participação popular desse ano, diminuiu clara e consideravelmente. Mais negativo ainda, é saber que a queda na participação não se concentrou apenas na praça mestre dominguinhos, mas sim em todos os polos. Por todos os cantos da cidade a reclamação é uma só, e quando ouvidos, os comerciantes instalados nos pólos em que ocorreu o evento, são os mais desiludidos com o FIG.

“É fato que a Fundarpe cumpriu seu papel ao difundir cultura pelo FIG, mas no geral, eles (governador e equipe) arranharam um festival consolidado. A cidade tem conhecimento que isso é retaliação por parte do Governador, já que ele não se bica com o Prefeito Izaías. Do ponto de vista econômico, o FIG, foi um prejuízo geral, mas não há preocupação com isso. O intuito é massacrar Garanhuns que em sua maioria, conta com pessoas de oposição ao Governador”, defendeu um comerciante ouvido pelo Blog do Gidi Santos.

Em visita a Garanhuns e ao Festival, na quinta-feira (27), o Governador Paulo Câmara foi questionado pelo radialista Abdias Santos, apresentador do programa humorístico "Veio Jerimias", veiculado na Rádio 87 FM, sobre o pequeno público visto na segunda-feira (24), nos polos do evento. Em resposta, o Governador assegurou que sua equipe (Fundarpe-Secult-PE), vai avaliar o caso. "Iremos estudar com calma para ver o que foi que aconteceu, para que o público nos polos não fosse significativo. Iremos sentar e estudar com calma, todo ano fazemos avaliações", disse o governador, em entrevista ao programa do Veio.
.

Embora Paulo não tenha assegurado, o Secretário de Cultura de Pernambuco, Marcelino Granja, chegou a defender, também em entrevista a rádio 87 FM, desta vez, a radialista Samara Pontes, que para o ano que vem, segunda e terça-feira, contarão com atrações com potencial de unir grande público. A fala de Marcelino, embora motivadora, ainda revelou que os outros polos não devem inciar sua programação, ano que vem, já no segundo dia do evento, como vem sendo cobrado ao governo do estado. De acordo com Granja, não há recursos no executivo estadual, capazes de garantir essa mudança.

Alheio a toda parte técnica, que edifica o Festival de Inverno de Garanhuns, e que costuma movimentar os bastidores do evento, encerrando os shows do palco principal, Mestre Dominguinhos, estiveram: Andrea Amorim, Jr. Black, Maestro Spok, Zé Ricardo e convidados; além da carioca Fernanda Abreu. A noite, foi fria, mas não faltou público disposto a ser aquecido pelos últimos momentos do FIG.

Júnior Black, natural de Garanhuns, voltou a cidade para lançar seu novo disco: “Vende-se”, enquanto que a musa garanhuense, Andréa Amorim, após turnê na Europa, fez o show de abertura deste sábado, dia 29 de julho. Andrea, brindou o Festival, com belas homenagens cantadas à Belchior e Dominguinhos.
.

Dando sequência aos shows, subiram ao palco, Maestro Spok; que se encarregou de tocar muito frevo com influências do jazz, e o cantor, compositor e produtor carioca, Zé Ricardo; penúltima atração da noite. Fechando os trabalhos, e deixando saudade do FIG 2017, a carioca, Fernanda Abreu, colocou todo mundo pra dançar.

Embora muito criticado pelos garanhuenses, em matéria veiculada em seu portal, a Secretaria de Cultura de Pernambuco afirmou que o FIG 2017 foi um sucesso, e que o evento não se ateve ao ibope, mas sim à qualidade artística. "Nesta 27º edição do Festival de Inverno de Garanhuns, a arte esteve sim em todos os lugares. Mais foi além: trazendo uma programação urgente, necessária e contemporânea. O FIG entrou nos corações dos que conferiram artistas de todas as vertentes, estilos e propostas. A programação musical  do evento não se ateve ao ibope, mas à qualidade artística", diz trecho da publicação.

Este ano, de acordo com informações da Fundarpe-Secult-PE, cerca de 250 mil pessoas estiveram visitando Garanhuns, durante o evento. Esse número, é bem inferior, se comparado ao de anos anteriores, onde aproximadamente 800 mil pessoas estiveram circulando pelas ruas e pelos pólos do FIG.


          
Uma publicação compartilhada por FIG 2017 (@festivaldeinvernodegaranhuns) em

Nenhum comentário:

Postar um comentário