domingo, 30 de julho de 2017

FIG chega ao fim, após ter celebrado criatividade e muita cultura

Apostando em artistas com trabalhos relevantes, em dez dias de evento o FIG apresentou um 
panorama da produção cultural contemporânea brasileira. (Com informações e imagens da Fundarpe).

Todo mês de julho temos um encontro marcado: durante dez dias, Garanhuns se transforma em um lugar idílico onde a arte está nos palcos, nas ruas, nos parques. Nesta 27º edição do Festival de Inverno de Garanhuns, a arte esteve sim em todos os lugares. Mais foi além: trazendo uma programação urgente, necessária e contemporânea, o FIG entrou nos corações dos que conferiram artistas de todas as vertentes, estilos e propostas. 

Não poderia ser diferente em uma edição em que o grande homenageado é o músico cearense Belchior. Política, em sua mais ampla definição, e a poesia, em todas as formas, são o legado de Belchior que marcou o FIG deste ano. Tudo isso com casa cheia: a praça Mestre Dominguinhos, termômetro do FIG, recebeu um público de 250 mil, sem contar quem prestigiou os demais espaços deste ano. 

Na música, a praça Mestre Dominguinhos foi o local para as multidões. Uma vitrine para a música brasileira, o palco apresentou lançamentos de jovens artistas e reverenciou o trabalho de medalhões da nossa música. No Tributo a Belchior, já na primeira noite do polo, músicos de todas as gerações se reuniram: de Angela Ro Ro ao pernambucano Juvenil Silva. Era uma amostra do que estava por vir.
.

No sábado, dia 22 de julho, por exemplo, a veterana Baby do Brasil, com seus mais de 30 anos de carreira e carisma ímpar, fez uma apresentação histórica no Festival de Inverno de Garanhuns (FIG). Com a revelação Alice Caymmi, que tocou na mesma noite, não foi diferente: o público foi abaixo com sua performance enérgica.

Na crista da onda, a banda BaianaSystem fez as mais de 15 mil pessoas pularem a noite toda, enfrentando chuva e frio em plena terça-feira. Logo após, dois dias depois, no mesmo palco principal do evento, Chico César levou a delicadeza e o vigor do seu novo disco, Estado de poesia, para a praça Cultural Mestre Dominguinhos cantar junto. 

Nos palcos Pop e Som na Rural a única certeza era encontrar artistas que estão despontando com obras fortes e originais – e se deixar ser impactado. Foi o caso da banda paulista, com integrantes mexicanos, Francisco, el hombre que arrastou uma multidão na segunda-feira do festival. A apresentação musical-performática do Não recomendados também mexeu com o público. Tudo isso mesclado com nomes que estão na estrada há anos e continuam se desafiando criativamente, como a banda Devotos e a cantora Marina Lima, que se apresenta neste sábado (29) ao lado da jovem banda paraense Strobo.
.

Com uma programação musical que não se ateve ao ibope, mas à qualidade artística, o FIG cativou um público fiel, mesmo com o frio e a chuva não dando trégua. Até artistas muito populares, como Zeca Pagodinho e Fafá de Belém, levaram ao palco shows recentes e relevantes. O sambista, por exemplo, apresentou para 40 mil pessoas o show do disco que venceu o Prêmio da Música Brasileira neste ano. 

A originalidade que marcou esta 27ª edição do FIG se revelou também na escolha de shows e montagens inéditos, feitos especialmente para o festival. Foi o caso da linda apresentação do Projeto Setenta com Sete, que reuniu alguns dos melhores sanfoneiros do Nordeste, como Waldonys e Mahatma, para celebrar os 70 anos de gravação do hino Asa Branca. No teatro, tivemos o espetáculo Cabaré Brecht, com a genial Cida Moreira e o retorno ao tablado da atriz Maeve Jinkings. Exibições únicas, especialmente para o FIG.
.

Nenhum comentário:

Postar um comentário