terça-feira, 12 de julho de 2016

PF: empresa ligada à Odebrecht comprou sede para o Instituto Lula

Construtora DAG, de Salvador, é a mesma que fretou jatinho para levar petista a Cuba. (O Globo)

SÃO PAULO — Em junho de 2010, a construtora Odebrecht adquiriu um prédio de três andares na Vila Clementino, Zona Sul de São Paulo, e planejava instalar ali a sede do futuro Instituto Lula, de acordo com a força-tarefa da Operação Lava-Jato. A compra foi feita em nome da DAG Construtora, de Salvador, que pertence a Demerval Gusmão, amigo e parceiro de negócios de Marcelo Odebrecht, dono da empreiteira. A DAG é a mesma que, em 2013, a pedido da Odebrecht, pagou o jatinho que levou o ex-presidente Lula a Cuba, República Dominicana e Estados Unidos, como revelou O GLOBO.

Segundo as investigações, a família Lula sabia dos planos de usar o prédio para o instituto: um projeto de reforma do imóvel, que incluía auditório, sala para exposição e até apartamento com cinco suítes na cobertura, foi localizado numa pasta cor de rosa endereçada a dona Marisa Letícia e apreendida pela Polícia Federal, no início deste ano, no sítio de Atibaia (SP) que era usado por Lula e sua família.

Os documentos, apreendidos em março último, na 24º fase da Lava-Jato, voltaram a ser analisados pela força-tarefa no fim de junho, depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) devolveu a Curitiba os inquéritos que investigam supostas vantagens indevidas dadas ao ex-presidente. O conteúdo da pasta e as negociações para compra do prédio são descritas num relatório de análise da PF, obtido pelo GLOBO.
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PENDÊNCIAS JUDICIAIS - Embora o prédio tenha sido efetivamente comprado pela DAG, o Instituto Lula não ganhou a sede e acabou sendo instalado no prédio do antigo Instituto Cidadania, no Ipiranga, onde permanece até hoje. Os responsáveis pela compra teriam desistido do projeto original de uso depois de descobrir que o imóvel estava envolvido em pendências judiciais dos antigos proprietários.

Além da pasta com o projeto de reforma, a PF apreendeu na residência de Lula, em São Bernardo do Campo, e-mails impressos que indicam que a negociação do prédio, de 5.268 m² de área construída, chegou a ser feita por Roberto Teixeira, amigo e advogado do ex-presidente. Teixeira, que costuma assessorar negócios imobiliários, foi quem ajudou na aquisição do sítio de Atibaia por Fernando Bittar e Jonas Suassuna. Os e-mails apreendidos contêm o preço de venda do prédio (R$ 10 milhões) e as dívidas pendentes (de R$ 2,3 milhões). Para os peritos, o projeto da pasta cor de rosa “refere-se à reforma do imóvel da Rua Haberbeck Brandão, 178”, na Vila Clementino, e o “terreno foi objeto de negociação para atender os interesses do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

Também foi apreendido na residência da família Lula um contrato de opção de compra, onde consta como vendedora a Asa Agência Sul Americana, então proprietária, e como comprador José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente. A data é anterior à venda para a Odebrecht, e quem assina o contrato é Teixeira. Ouvido pela PF no fim de junho, o pecuarista afirmou que não quis participar do negócio. Para os investigadores, sem Bumlai, a compra acabou sendo feita pela DAG.

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Ex-Ministro de Dilma será candidato à presidência da Câmara

Padilha diz que governo trabalha com ideia de candidato único na base aliada. (O Globo)

BRASÍLIA — A bancada do PMDB na Câmara decidiu na manhã desta terça-feira que terá um candidato do partido na disputa pela presidência da Câmara. Marcelo Castro (PI) venceu a disputa e representará o partido na eleição, prevista para esta quarta-feira. Castro venceu a eleição por 28 votos. Osmar Serraglio (PR) obteve 18 votos. Também disputaram na bancada Carlos Marun (MS) e Fábio Ramalho ( MG). Eleito o candidato, ele não poderá desistir de concorrer sem que a bancada seja novamente consultada — defendeu o deputado Sérgio Zveiter. (RJ).

O governo está muito preocupado com o racha na base aliada. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou nesta terça-feira que espera haver unidade "pelo menos" depois do pleito. “O governo trabalha com a ideia de a base ter um candidato único”, declarou Padilha, que considerou o objetivo "perfeitamente possível" e completou: “O ministro da Secretaria do Governo, Geddel Vieira Lima, disse que a escolha de Marcelo Castro para ser o candidato oficial do PMDB à presidência da Câmara é mostra "inequívoca" de que o Planalto não está interferindo na Casa”. — Essa primeira escolha de Marcelo Castro é demonstração inequívoca de que o governo não está se envolvendo no processo.
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Dilma não confirma participação na abertura das Olimpíadas do Rio

Solenidade está agendada para a noite do dia 5 de agosto no Estádio do Maracanã. (Folha de Pernambuco).

A presidenta afastada Dilma Roussef, foi convidada oficialmente nesta segunda-feira (11) pelo Comitê Olímpico Internacional para participar da abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto. De acordo com a assessoria de imprensa de Dilma, ela ainda não decidiu se comparecerá ou não à cerimônia.

Agendada para a noite do dia 5 de agosto no Estádio do Maracanã, a solenidade de abertura, que conta com desfile das delegações e espetáculos, é um dos eventos mais aguardados dos jogos. Na sexta-feira (9), ao conceder entrevista a um jornal português, a presidenta afirmou que avaliaria a possibilidade de ir. Ela informou que não irá caso "haja condições que a diminuam".

Visita - "Seria justo que fosse, uma vez que quem assegurou os recursos necessários, a segurança e a divulgação do evento fomos nós, o governo federal. Quando fui afastada, no dia 12 de maio, estava tudo sob controle na esfera federal. As questões que surgiram nos últimos tempos [estado de calamidade pública decretado pelo governador em exercício Francisco Dornelles] são da esfera do governo do estado e do município e devem ser respondidas pelas autoridades competentes", disse a presidenta afastada ao periódico Diário de Notícias.

Há cerca de um mês, ao visitar o Parque Olímpico da Barra, no Rio de Janeiro, o presidente interino Michel Temer disse que não se opunha à presença de Dilma na abertura, mas que a decisão não cabia ao Palácio do Planalto.

"Temer privatiza porque não sabe governar", afirma Lula na Bahia

“Temer sabe que o impeachment não é uma coisa certa, da forma como está acontecendo", 
ainda afirmou o petista em Juazeiro. (Foto: Leo Motta. Fonte: Folha de Pernambuco).

Em visita a Juazeiro, na Bahia, nesta segunda-feira (11), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o governo interino de Michel Temer (PMDB) “não sabe governar” e que tem caminhado para “desmontar programas sociais”. “Eles não sabem governar e precisam vender o patrimônio público. Mas eles podem saber que eu sei governar”, afirmou Lula, que está sendo acompanhado pelo governador da Bahia, Rui Costa (PT), e o prefeito de Juazeiro, Isaac Carvalho (PCdoB).

Na ocasião, o petista, que participa do ato “Semiárido contra o Golpe-Nenhum Direito a Menos”, afirmou ainda que o processo de impeachment de Dilma Rousseff não passa de um “golpe”. “Temer sabe que o impeachment não é uma coisa certa, da forma como está acontecendo. Só o povo pode tirar Dilma”, disparou. Ainda durante o encontro, o ex-presidente enfatizou que após a eleição de Eduardo Cunha (PMDB) à presidência da Câmara dos Deputados, o governo Dilma teria “desandado” e que até o final de 2014, o Brasil apresentava baixo índice de desemprego e uma economia “boa”. 

       “Em 2015, a coisa desandou, sobretudo porque elegeram um cidadão (Cunha) que se utilizou do cargo para atrapalhar a Dilma a governar este País”, criticou o petista, que ainda acusou a imprensa de “criminalizar” o PT. “Nunca vi tanto ódio destilado de um partido político”, completou Lula, que recebeu o título de cidadão juazeirense da Câmara Municipal.
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Em Petrolina, no Sertão, Lula diz que pode ser candidato em 2018

" A gente não troca de presidente como troca de roupa. A Dilma tinha três anos de mandato",
defendeu Lula em Petrolina. (Foto: Leo Motta. Fonte: Folha de Pernambuco).

Em sua passagem por Petrolina, no Sertão de Pernambuco, na noite desta segunda-feira (11), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que se for provocado ele dará uma única resposta à oposição, sua candidatura à presidência da República. “Para quem sobreviveu ao Sertão, não morreu de sede e nem de fome, não vai ser agora que vão me tirar do jogo. Se eles quiserem reduzir os direitos do povo brasileiro a pó, eu digo: não me provoquem porque eu posso voltar e ser candidato em 2018″, disparou. “Estou calejado e eu vejo direto um artigo dizendo que eles têm medo que o Lula volte”, completou.

Na ocasião, que começou com três horas e meia de atraso, o petista afirmou ainda que Dilma teria tido seu poder de presidente “assaltado” em Brasília. “Os caras reuniram uma maioria e assaltaram o poder. Assaltaram por uma maioria muito duvidosa na Câmara dos Deputados. A gente não troca de presidente como troca de roupa. A Dilma tinha três anos de mandato ainda”, acrescentou.

Apesar disso, o ex-presidente disse que a luta “contra o golpe” continuará. “Aqui a Dilma teve 75% dos votos. Se não respeita a democracia, respeite o povo de Petrolina. Respeite o povo do Nordeste”. “Não abaixem a cabeça nunca. Minha mãe dizia: se você baixar a cabeça eles colocam uma cangaia e nunca mais você levanta”, completou. “Estamos empenhados em tentar convencer senadores a votar contra o impeachment. Precisamos convencer seis. Não para apenas garantir o mandato da Dilma, mas para evitar que os trabalhadores percam direitos que custaram a conseguir”, afirmou.

Durante o evento, Lula ainda criticou a atual situação econômica do Brasil, que segundo ele, “desandou” com a saída de Dilma. Para ele, a economia “só será recuperada pela parte mais pobre da população”, mas para isso, é preciso que o Estado “gaste um pouco de recurso com ela”.

         “Eu tenho dito para a companheira Dilma: ‘Sabe quem vai salvar este País? A União não tem dinheiro para fazer investimento e não está arrecadando, os estados estão todos quebrados, sem dinheiro para pagar os professores, as prefeituras estão quase todas quebradas e não sabem se irão pagar o 13º dos funcionários, os bancos não querem emprestar dinheiro, os empresários não têm confiança nos políticos e não fazem investimento. Se eles não podem investir, quem ‘diabos’ vai fazer a economia brasileira crescer”, questionou. 

         “Eu colocaria dinheiro na mão do povo pobre, porque se a gente colocar uma política de financiamento de R$ 500 para as pessoas esse dinheiro não virar dólar nem conta bancária, vai virar comércio no dia seguinte e vai gerar desenvolvimento e vai gerar a economia brasileira”, completou o petista.
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