sábado, 5 de novembro de 2016

DOM ROXÃO: Garanhuns realiza primeira grande vaquejada após Senado tornar atividade patrimônio cultural imaterial

A primeira grande vaquejada Dom Roxão acontece entre os dias 3 a 6 de novembro, 
oferecendo uma premiação de R$ 200 mil reais. (Fotos: Portal das Vaquejadas).

Ela surgiu na metade do século XVIII, e apesar de agora dominar mais efetivamente as conversas no cotidiano da maior parte dos brasileiros; a vaquejada, também conhecida como corrida de mourão, esporte arraigado culturalmente e mais especificamente no Nordeste Brasileiro, vem sendo alvo de questionamentos já desde o ano de 2010. Segundo alguns ativistas de grupos ambientais, a atividade na qual dois vaqueiros montados a cavalo têm de derrubar um boi, puxando-o pelo rabo, entre duas faixas de cal dentro de um parque, ocorre de forma a causar maus tratos aos animais que são utilizados, neste que hoje, é tratado como esporte. No início da prática, e os registros históricos são claros, a vaquejada, tal como conhecemos atualmente, servia apenas de simbologia ao encerramento de uma etapa de trabalho de vaqueiros que serviam aos senhores de engenho.

Em meados da década de 40 (século XX), o gado era reunido para ser ferrado, castrado e consequentemente conduzido a “invernada”, que é quando os bois são unidos em uma pastagem para a engorda. Deste forma eles eram soltos na mata. Depois de alguns dias, por vezes até meses, a mando dos coronéis da época, peões contratados seguiam à procura dos animais, demonstrando imensa habilidade, afinal, eles faziam malabarismos com seus cavalos para escaparem dos arranhões de espinhos e pontas de galhos secos para o resgate desses bichos. É a partir desse comportamento, o trato do gadoque a atividade toma ares efetivamentes desportivos.
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Em se tratando das ruas e das opiniões, alguns defendem atualmente, que a vaquejada obtenha status de manifestação cultural nacional e de patrimônio cultural imaterial. Como muitos Brasileiros, o Capitão Augusto, deputado Federal pelo PR do estado de São Paulo, também pensa assim, razão pela qual ele apresentou na Câmara dos deputados um Projeto de Lei que elava a vaquejada, bem como o rodeio, à condição de patrimônio cultural imaterial. Recentemente, no dia 1 de novembro, o texto de Lei do deputado Capitão Augusto foi aprovado no Senado Brasileiro, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), pelo senador Otto Alencar, do PSD da Bahia. No entanto, apesar de aprovado o relatório no Senado, o texto não defende, garante, ou ainda regulamenta a prática do esporte com parâmetros e regras.

A investida maciça por parte da classe política brasileira, através de deputados e senadores, ocorre em razão de uma decisão recente do Supremo Tribunal Federal, onde uma lei do Ceará que regulamentava a atividade foi barrada. Na decisão do STF, seis ministros votaram a favor da inconstitucionalidade da matéria, ao passo que cinco foram contra. Os ministros que se colocaram em desacordo a vaquejada, alegam que o esporte impõe sofrimento aos animais e que, portanto, fere os princípios previstos na constituição que tratam da preservação do meio ambiente.
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Mesmo diante de toda essa celeuma gerada entre STF e Congresso, a cidade de Garanhuns, situada no Agreste de Pernambuco, realiza a primeira vaquejada, pós início do conflito entre essas duas esferas de poder, onde um (STF) defende a inconstitucionalidade da prática esportiva, enquanto que o outro (Senado) reconhece a atividade como manifestação cultural nacional e de patrimônio cultural imaterial.

A primeira grande vaquejada Dom Roxão acontece entre os dias 3 a 6 de novembro deste ano, oferecendo uma premiação de R$ 200 mil reais e disponibilizando toda a pirotecnia esperada nesses eventos. Shows musicais, com as cantoras Simone e Simaria, o cantor Mano Walter e Fulô de Mandacarú (banda caruaruense que recentemente conquistou o primeiro lugar no programa The Voice Brasil, da Rede Globo), ocorrem no sábado (5) e já desde a quinta (3), como os próprios competidores afirmam: “tem boi na pista, tem boi no chão!”. A Dom Roxão, realizada pelo Haras Brejo das Flores, acontece no parque Acauã, que é administrado pela família de mesmo sobrenome: Léo, Diego e Marcos (Acauã-foto).
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Inaugurado em 2005; até ano passado, o parque recepcionava a etapa final do Campeonato Pernambucano de Vaquejada, o circuito CAMPEV. Para este ano e após o arrendamento do Brejo das Flores, o Acauã passou por uma profunda e inovadora reforma em sua estrutura. De acordo com informações de Erlan Bezerra (Haras Brejo das Flores), em 2016, cerca de mil bois mobral serão utilizados durante a competição, entre as fases classificatórias e finais. As categorias, Profissional, Amador, Aspirante e Tropa Feminina estarão a disposição dos competidores e o certame tem o aval da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM). Quanto a expectativa de público para os dias em que ocorre o evento, ela é de 40 mil pessoas.

Emprego e renda – Do ponto de vista econômico, para se ter uma ideia; é importante frisar que em algumas cidades, como em Pernambuco, caso por exemplo de Cachoeirinha, distante 172 quilômetros da capital, Recife, cerca de 80% das atividades que geram emprego e renda, giram em torno das vaquejadas que ocorrem na região. Quando levamos em consideração o Nordeste, os dados são ainda mais robustos, já que um levantamento realizado pela Associação de Criadores de Quarto de Milha (ACQM-PE), revela que as vaquejadas à fora, são responsáveis pela geração de cerca de 120 mil empregos diretos, ao passo que também geram 600 mil de forma indireta. Além disso, defensores da atividade garantem que a vaquejada movimenta anualmente, cerca de R$ 14 milhões de reais.
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