sábado, 9 de julho de 2016

Alto preço do feijão foi o grande vilão da inflação no mês de junho

Sozinho, de acordo com o IBGE, o feijão representou 31% da alta de preços do mês passado. 
O carioca ficou 41,78% mais caro. Já o mulatinho subiu 34,15%. (Folha de Pernambuco).

Custando mais de R$ 10 reais em muitos mercados brasileiros, o feijão foi o grande vilão da inflação em junho. Só o carioca ficou 41,78% mais caro. Já o mulatinho subiu 34,15%. A alta foi tão grande que limitou a queda do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo o IBGE, a taxa caiu de 0,78% para 0,35% entre maio e junho. O índice, no entanto, poderia ser bem menor não fosse o feijão; pois, sozinho, este alimento representou 31% da alta de preços do mês passado.

“A inflação está muito concentrada no feijão porque este alimento pesa muito na cesta de consumo do brasileiro e teve uma alta muito grande nos últimos meses”, explicou a economista Amanda Aires, da Faculdade Boa Viagem (FBV). “Só o feijão teve um peso de 0,11 ponto percentual na inflação de junho”, revelou a gerente de pesquisa do IBGE, Irene Maria Machado, contando que o leite também influenciou o IPCA do mês passado. A bebida teve uma variação de 10,46%, atrás somente dos feijões carioca e mulatinho.

“O grupo de alimentos veio até um pouco mais baixo, porque itens como cebola, cenoura e tomate ficaram mais baratos. Mesmo assim, representam 60% da inflação por causa do feijão e do leite. Juntos, esses itens contribuíram com 0,21 ponto percentual”, contou Machado, dizendo que, caso este setor fosse excluído do cálculo, a inflação teria ficado em 0,22% em junho. Ela lembrou que o feijão subiu de preço por causa das condições climáticas que quebraram a safra.

Ainda segundo a gerente do IBGE, a inflação caiu entre maio e junho porque sentiu menos o impacto dos preços administrados. “As taxas de água, esgoto, energia já tiveram reajuste no início do ano. Com isso, o grupo habitação caiu de 1,79% para 0,63%. O setor Transportes também caiu porque as passagens de ônibus já foram reajustadas. E saúde teve um resultado menor porque a maior parte do aumento dos remédios já foi aplicada”, explicou, dizendo que, no Recife, ainda contribuiu para a desaceleração da inflação o barateamento das refeições fora de casa.

O item caiu 1,37% no mês passado por conta da queda na demanda. Com isso, a inflação variou 0,32% na capital pernambucana; Recife, abaixo da média nacional. Após variar 0,35% no mês de junho, a inflação acumulou alta de 4,42% no primeiro semestre deste ano e de 8,84% nos últimos doze meses no Brasil. Os índices são inferiores aos registrados no mesmo período do ano passado e, segundo especialistas, devem cair ainda mais neste segundo semestre de 2016.
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