terça-feira, 14 de junho de 2016

BRASÍLIA: Por 11 a 9, Conselho de Ética da Câmara decide pela cassação do mandato do Deputado Eduardo Cunha

O Conselho de Ética admitiu o processo que será levado ao plenário, porém, Cunha só perderá o 
mandato, caso, 257 dos 512 Deputados que compõe a casa, votem favoráveis a cassação. (Folha-PE)

No processo mais longo de sua história -oito meses após a apresentação da denúncia-, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados Federais, em Brasília, aprovou nesta terça-feira (14), por 11 votos a 9, parecer favorável à cassação do mandato do Deputado, Presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, do PMDB do Rio de Janeiro. Após muito bate-boca, o colegiado corroborou o relatório do deputado Marcos Rogério (DEM-RO), alegando não faltar provas de que Cunha quebrou o decoro parlamentar ao omitir a existência de contas no exterior que, segundo a Procuradoria-Geral da República, foram abastecidas em parte, com dinheiro do "petrolão".

O Conselho de Ética admitiu o processo que será levado ao plenário, porém, Cunha só perderá o mandato, caso o plenário da Câmara confirme o parecer do Conselho com o voto de pelo menos 257 dos seus 512 colegas. A votação é aberta e ainda não tem data para ser realizada. O voto decisivo foi dado pela deputada Tia Eron (PRB-BA-foto abaixo), que sofreu intensa pressão nos últimos dias, faltou à sessão de votação na semana passada e era considerada pelos aliados de Cunha como apoio certo para salvar seu mandato.

Em uma fala inflamada nesta terça, ela atacou colegas que criticaram seu sumiço e seu silêncio, afirmando não ter sido "abduzida" e que estava se resguardando. E disse que estava ali para resolver "o problema que os homens não conseguiram resolver". "Não mandam nessa nêga aqui!". As indicações da deputada de que poderia votar contra Cunha levaram o Conselho a desistir de adiar a votação mais uma vez. Em seu voto, ela disse que não poderia absolver Cunha. Wladimir Costa (SD-PA), um dos mais ardorosos defensores de Cunha, mudou o voto e apoiou a cassação após a decisão de Tia Eron.
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