quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

PARA AERONÁUTICA, descumprimento das normas, despreparo dos pilotos, fadiga e desorientação espacial foram as causas que levaram a queda do avião em que viajava o ex-governador Eduardo Campos


Do Blog da Folha PE
Fotos / Agência Brasil / FAB e PSB

Militares do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresentaram o relatório final sobre as causas do acidente aéreo que provocou a morte do ex-governador Eduardo Campos e outras seis pessoas da tripulação no dia 13 de agosto de 2014. A apresentação ocorreu na tarde de ontem (19). Para a Aeronáutica, desorientação e falta de habilidade dos pilotos, que não seguiram procedimentos de pouso em condições meteorológicas adversas, foram principais motivos do acidente.

Condições meteorológicas adversas no momento do pouso, com chuvas e ventos fortes no local teriam provocado “possível desorientação espacial”, que poderia ter sido provocada pela falta de visibilidade e de treinamento adequado para a aeronave por parte do comandante. Foi observada, ainda, alta velocidade no momento do impacto: 694,5 km/h.

No início da tarde, os familiares das vítimas ouviram em primeira mão as conclusões do Cenipa a respeito do caso. Além do presidenciável, morreram na tragédia o piloto, Marcos Martins, o copiloto, Geraldo Magela, os fotógrafos da campanha do socialista, Alexandre Severo e Marcelo Lyra, o jornalista Carlos Percol e o assessor Pedro Valadares.
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Descumprimento das normas

O investigador encarregado, o tenente-coronel Raul de Souza colocou em evidência durante a apresentação o descumprimento de normas de segurança da Carta de Santos por parte do piloto e do copiloto. Ele explicou que cada aeroporto possui um manual com orientações e deve ser seguido pela tripulação, porém isso não teria ocorrido conforme a Força Aérea Brasileira.

Segundo militares, a aeronave fez um giro à esquerda na hora do pouso considerado “fora do padrão de segurança”. Ainda de acordo com o investigador encarregado, a carta de Santos não foi cumprida pelos pilotos, que deveriam ter subido “quatro mil pés” e, em seguida, virar à esquerda na arremetida.

Despreparo e fadiga

Fadiga e sonolência foram identificados através de análise da voz do copiloto. Segundo o Cenipa, a falta de conhecimento da aeronave e da área de pouso, além de erros de julgamento sob estresse, fizeram com que os pilotos perdessem o controle da aeronave após arremeterem o pouso.

“Tudo o que estamos fazendo aqui é para entender o que a tripulação fez sem cumprir os procedimentos previstos”, afirmou Raul de Souza.
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Hipóteses descartadas

As investigações descartaram erros de projeto da aeronave, cujos modelos similares se envolveram em uma lista de incidentes. Foram descartadas hipóteses como fogo na aeronave, voo de dorso (de cabeça para baixo) e colisão em voo.

Ao todo, 18 especialistas atuaram na investigação do acidente 17 meses após a tragédia. De acordo com a FAB, a última gravação registrada no avião foi do dia 23 de janeiro de 2013, porém não havia qualquer registro de inoperância do Voice Recorder (CVR).

“Não é objetivo nosso encontrar culpados ou responsáveis, mas prevenir novos acidentes”, afirmou o Brigadeiro Schuck. Foram avaliados fatores Operacionais, Humanos e Materiais durante a investigação, informou a FAB. “Durante as comunicações não houve qualquer chamada da tripulação que representasse uma condição de emergência”, complementou o investigador encarregado.

O Cenipa é órgão ligado ao Comando da Aeronáutica e que conduz as investigações de acidentes aéreos no Brasil. O relatório do órgão foi a apresentado primeiramente aos familiares das vítimas. A apresentação também foi disponibilizada no twitter da Força Aérea Brasileira (FAB).


Confira o RELATÓRIO FINAL DO CENIPA:
Clicando AQUI


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